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A lentidão das preguiças: uma questão de DNA
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A lentidão das preguiças: uma questão de DNA

As preguiças são os mamíferos mais lentos do planeta, e seu habitat em selvas densas as tornou notoriamente difíceis de estudar.

Fonte original citada e enquadrada editorialmente pelo Cosmos Week. Phys. org Biology
Assinatura editorialRedação do Cosmos Week
Publicado09 jun 2026 16h00
Atualizado2026-06-09
Tipo de coberturaJornalismo científico
Nível de evidênciaCobertura jornalística
Leitura4 min de leitura

Pontos-chave

  • Em foco: As preguiças são os mamíferos mais lentos do planeta, e seu habitat em selvas densas as tornou notoriamente difíceis de estudar
  • Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
  • Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
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As preguiças são reconhecidas como os mamíferos mais lentos do planeta, uma característica que, combinada com seu habitat em selvas densas, as tornou notoriamente difíceis de estudar. Contudo, um avanço significativo foi alcançado: pela primeira vez, cientistas sequenciaram e analisaram o genoma da preguiça-de-dois-dedos, revelando a base genética por trás de seu metabolismo excepcionalmente lento. Os resultados dessa pesquisa, publicados na revista BMC Biology, começam a desvendar a complexa genética subjacente à biologia singular das preguiças. Essas descobertas não apenas aprofundam nosso conhecimento sobre esses animais fascinantes, mas também podem impulsionar novas investigações sobre condições associadas ao metabolismo e ao envelhecimento em outros mamíferos, incluindo os seres humanos.

A linhagem dos xenartros, à qual as preguiças pertencem, possui uma história evolutiva que remonta a 65, 5 milhões de anos. Entre seus ancestrais extintos, destacam-se as preguiças-gigantes-terrestres, que podiam atingir o tamanho de elefantes. A capacidade de conservar energia é crucial para a sobrevivência das preguiças modernas, e elas desenvolveram uma estratégia notável para isso. Esses animais conseguem alternar entre a autorregulação da temperatura corporal e a permissão de que ela flutue com o ambiente, com oscilações que podem chegar a 5°C (41°F). Essa flexibilidade térmica é um mecanismo adaptativo fundamental que contribui para seu baixo gasto energético.

Para desvendar os segredos genéticos da preguiça, pesquisadores do Instituto Sanger e do IZW (Leibniz Institute for Zoo and Wildlife Research) empregaram uma abordagem de genômica comparativa. Eles analisaram o genoma da preguiça e o compararam com sequências genômicas de outros mamíferos, incluindo o tamanduá e o tatu. Essa metodologia permite identificar semelhanças e diferenças genéticas que podem explicar as características únicas das preguiças, como seu metabolismo lento e suas adaptações fisiológicas. A comparação com parentes evolutivos próximos é essencial para rastrear as mudanças genéticas que moldaram a evolução desses animais ao longo de milhões de anos.

Ao utilizar a genômica para investigar a linha do tempo evolutiva das preguiças, os pesquisadores fizeram uma descoberta intrigante sobre os chamados “genes saltadores”, ou retrotransposons. Eles identificaram que esses elementos genéticos móveis surgiram no último ancestral comum de todas as espécies de preguiças existentes, há aproximadamente 30 milhões de anos. Essa revelação sugere que a proliferação desses genes pode ter desempenhado um papel significativo na moldagem do genoma da preguiça e, consequentemente, em suas características biológicas distintivas. A compreensão da dinâmica desses elementos genéticos é crucial para desvendar a complexidade da evolução genômica dos mamíferos.

A capacidade das preguiças de gerenciar a energia de forma tão eficiente, tanto em nível macroscópico quanto celular, é um dos aspectos mais fascinantes de sua biologia. Compreender os mecanismos moleculares e genéticos que permitem essa gestão energética pode oferecer novos insights sobre como as células regulam o metabolismo e otimizam o uso de recursos. Tais conhecimentos podem ter implicações importantes não apenas para a biologia da conservação das preguiças, mas também para a pesquisa biomédica, potencialmente revelando novas abordagens para o estudo de doenças metabólicas e processos de envelhecimento em humanos. A eficiência energética das preguiças serve como um modelo natural para a investigação de sistemas biológicos de alto desempenho.

Este estudo seminal, liderado por Marcela Uliano-Silva e colaboradores, intitulado “Elevada carga de retrocópia e expansões específicas da preguiça iluminam a evolução do genoma dos mamíferos”, foi publicado na BMC Biology em 2026. A pesquisa representa um marco fundamental na genômica de xenartros, fornecendo uma base sólida para futuras investigações sobre a biologia e a evolução desses animais. A análise detalhada do genoma da preguiça abre portas para a identificação de genes específicos e vias metabólicas que controlam sua lentidão e outras adaptações únicas, prometendo desvendar ainda mais os mistérios por trás de sua existência singular.