O que está alimentando nosso buraco negro supermassivo?
Astrônomos identificaram a provável fonte de gás que flui para as proximidades do buraco negro central da Via Láctea, Sagitário A*.
Pontos-chave
- Em foco: Astrônomos identificaram a provável fonte de gás que flui para as proximidades do buraco negro central da Via Láctea, Sagitário A*
- Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
- Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
Astrônomos identificaram a provável fonte de gás que flui para as proximidades do buraco negro supermassivo central da Via Láctea, Sagitário A* (Sgr A*). Essa descoberta é crucial para compreender os mecanismos de alimentação de buracos negros e a dinâmica de ambientes extremos no centro galáctico. A região ao redor de Sgr A* é caracterizada por um campo gravitacional intenso e a presença de objetos estelares e nuvens de gás que interagem de maneiras complexas, fornecendo o material necessário para a atividade do buraco negro.
A principal candidata a essa fonte de gás é uma estrela binária, IRS 16SW, que orbita Sgr A* a uma distância de apenas 19.000 unidades astronômicas. Para contextualizar, essa distância é aproximadamente a mesma da Nuvem de Oort de cometas em relação ao Sol. Além de IRS 16SW, outras 'estrelas S' também residem nas proximidades de Sgr A*, a distâncias inferiores a 0, 03 anos-luz. Esses objetos estelares desempenham um papel significativo na modelagem do ambiente gasoso ao redor do buraco negro, influenciando o fluxo de matéria que pode ser eventualmente capturada por Sgr A*.
A investigação também se concentra em uma família de nuvens de gás conhecidas como nuvens G, especificamente G1, G2 e G3. Em 2014, a nuvem G2 sobreviveu ao seu encontro mais próximo com o buraco negro, um evento que a tornou 'espaguetificada' devido ao intenso campo gravitacional de Sgr A*. Esse fenômeno de 'espaguetificação' ocorre quando as forças de maré do buraco negro esticam e distorcem um objeto que se aproxima demais. Embora outras nuvens G tenham sido observadas, elas parecem seguir órbitas distintas, sugerindo uma complexidade na distribuição e movimento do gás na região central da galáxia.
A equipe de pesquisadores liderada por Gillessen propõe que essa família de nuvens G (G1, G2 e G3) constitui uma estrutura coerente, formando um fluxo contínuo de gás que as conecta enquanto orbitam Sgr A*. Essa hipótese é sustentada pela descoberta de que os movimentos observados dessas nuvens correspondem de forma notável à órbita do binário próximo IRS 16SW. Essa correlação sugere uma ligação direta entre a estrela binária e a formação e o transporte dessas nuvens de gás em direção ao buraco negro central.
IRS 16SW é, na verdade, um par de estrelas quentes e massivas. Cada uma dessas estrelas possui aproximadamente 50 vezes a massa do Sol. Elas orbitam uma à outra em um período extremamente curto de apenas 19 dias. Essa proximidade orbital é tão intensa que suas atmosferas se sobrepõem parcialmente, criando um ambiente dinâmico e turbulento. A interação entre essas estrelas massivas é fundamental para a geração de ventos estelares e a ejeção de material gasoso, que pode então ser capturado pela gravidade de Sgr A*.
Os pesquisadores acreditam que os choques resultantes da interação atmosférica e dos ventos estelares dessas estrelas binárias se condensam em aglomerados de gás. Esses aglomerados são formados periodicamente, a cada 10 a 20 anos, e cada um deles pode conter algumas vezes a massa da Terra. Esse processo de condensação e formação de aglomerados de gás oferece uma explicação plausível para a origem do material que alimenta Sagitário A*, fornecendo uma compreensão mais profunda de como os buracos negros supermassivos podem ser abastecidos em ambientes galácticos complexos.
Fonte original: Sky & Telescope