Riachos mais quentes podem estar esgotando as teias alimentares fluviais, liberando mais carbono para a atmosfera
O aumento da temperatura dos cursos de água pode estar enfraquecendo a base das cadeias alimentares fluviais, alterando a forma como o carbono se move através desses ecossistemas.
Pontos-chave
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O aumento da temperatura dos cursos de água pode estar enfraquecendo a base das cadeias alimentares fluviais, alterando a forma como o carbono se move através desses ecossistemas aquáticos. Em um novo estudo publicado na revista *Ecosphere*, pesquisadores da Universidade do Norte do Arizona (NAU) descobriram que, com o aumento da temperatura da água, micróbios e insetos aquáticos processam folhas, galhos e cascas caídas mais rapidamente, mas uma fração menor dessa matéria orgânica é incorporada em suas biomassas. Essas descobertas apontam para uma mudança significativa na maneira como os ecossistemas fluviais retêm energia em condições de aquecimento, com implicações importantes para a flora e a fauna nos rios do oeste dos Estados Unidos.
Para investigar como o aquecimento afeta os processos fluviais, os pesquisadores da NAU desenvolveram um sistema de fluxo controlado no The Arboretum at Flagstaff. Eles construíram 48 minicâmaras de fluxo dentro de uma estufa, utilizando água de lago e manipulando a temperatura da água, enquanto mantiveram a luz natural e a química da água constantes. Esse arranjo permitiu simular uma variedade de condições de riacho ao longo de dois anos. "Este sistema permite-nos manipular a temperatura enquanto mantemos todo o restante o mais próximo possível de um riacho real, o que é fundamental para entender como esses processos realmente ocorrem na natureza", afirmou Zampini.
Dentro desse sistema experimental, a equipe empregou rastreadores para acompanhar o carbono da serapilheira – a principal fonte de energia em muitos rios florestados – até os micróbios e as moscas-caddis (tricópteros). Ao rotular as folhas com uma forma rara de carbono, os cientistas puderam medir diretamente a quantidade de carbono retida como biomassa, a quantidade liberada na água e no ar como dióxido de carbono (CO₂), e a quantidade transferida para micróbios e insetos. Essa abordagem permitiu quantificar a eficácia com que os organismos processam e utilizam o carbono disponível.
Em conjunto, esses padrões indicam que o aquecimento dos cursos de água libera mais carbono na atmosfera e converte menos carbono em biomassa. Mesmo quando o consumo de matéria orgânica aumenta, o sistema se torna menos eficiente. "Mais carbono é direcionado para a respiração e menos para a construção da cadeia alimentar", explicou Jane Marks, professora do Departamento de Ciências Biológicas e do Centro de Ciência e Sociedade de Ecossistemas (Ecoss). Essa ineficiência sugere que, embora a atividade microbiana e dos insetos possa ser acelerada pelo calor, a capacidade do ecossistema de reter e transferir energia para níveis tróficos superiores é comprometida.
As consequências dessa alteração na eficiência do processamento de carbono são vastas. Ao reduzir a quantidade de carbono que se torna biomassa, o aquecimento dos rios pode enfraquecer a base das teias alimentares, afetando indiretamente peixes e outros predadores que dependem desses insetos e micróbios como fonte de alimento. Além disso, a maior liberação de CO₂ para a atmosfera a partir de riachos mais quentes contribui para o ciclo global do carbono, potencialmente exacerbando as mudanças climáticas. Compreender esses mecanismos é crucial para prever e mitigar os impactos do aquecimento global nos ecossistemas aquáticos e nos serviços ecossistêmicos que eles fornecem.

Fonte original: Phys. org Biology