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Voyager 1 desliga outro instrumento
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Voyager 1 desliga outro instrumento

A Voyager 1, uma das missões interplanetárias mais antigas da NASA, teve outro instrumento desligado na semana passada, num esforço para manter a nave espacial operacional.

Fonte original citada e enquadrada editorialmente pelo Cosmos Week. Sky & Telescope
Assinatura editorialRedação do Cosmos Week
Publicado27 abr 2026 17h57
Atualizado2026-04-27
Tipo de coberturaJornalismo científico
Nível de evidênciaCobertura jornalística
Leitura4 min de leitura

Pontos-chave

  • Em foco: A Voyager 1, uma das missões interplanetárias mais antigas da NASA, teve outro instrumento desligado na semana passada, num esforço para manter a
  • Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
  • Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
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A Voyager 1, uma das missões interplanetárias mais antigas da NASA, teve outro de seus instrumentos desligado na semana passada. Essa medida faz parte de um esforço contínuo para manter a nave espacial operacional e prolongar sua vida útil no espaço profundo. Especificamente, em 17 de abril, os controladores da missão desativaram um dos sistemas a bordo. Apesar dessa recente desativação, a Voyager 1 ainda possui dois instrumentos científicos em pleno funcionamento, continuando a coletar dados valiosos de sua jornada interestelar.

A longevidade da Voyager 1 é verdadeiramente notável, superando em quase dez vezes sua missão nominal original, que era de apenas cinco anos. É um testemunho da engenharia e resiliência da sonda. Paradoxalmente, a missão enfrentou um início turbulento. Logo após o lançamento, a Voyager 1 quase foi perdida quando o segundo estágio do foguete desligou-se prematuramente, ameaçando deixá-la em uma órbita incorreta e comprometendo toda a empreitada científica.

Uma decisão crucial na história da missão foi a escolha dos engenheiros de direcionar a Voyager 1 para um sobrevoo próximo da enigmática lua de Saturno, Titã. Essa manobra, realizada em 1980, foi fundamental, pois impulsionou a espaçonave para fora do plano do sistema solar, colocando-a em uma trajetória que a levaria ao espaço interestelar. Essa rota estratégica permitiu que a sonda explorasse regiões nunca antes alcançadas por qualquer artefato humano.

Atualmente, a Voyager 1 detém o título de espaçonave mais distante da Terra, encontrando-se a mais de 170 unidades astronômicas (AU) de distância. Para contextualizar, uma unidade astronômica é a distância média entre a Terra e o Sol. Sua jornada a leva na direção da constelação de Ophiuchus, explorando o meio interestelar e enviando dados que revelam informações inéditas sobre o ambiente além da heliosfera, a bolha protetora de partículas e campos magnéticos do nosso Sol.

A Voyager 1 não é a única missão a se aventurar para além dos limites do nosso sistema solar. Outras sondas notáveis que empreenderam essa jornada incluem as agora extintas Pioneers 10 e 11, que foram as primeiras a cruzar o cinturão de asteroides e a visitar Júpiter e Saturno, respectivamente. Além delas, a missão New Horizons, ainda operacional, continua sua exploração do Cinturão de Kuiper após seu histórico sobrevoo de Plutão, também em rota de escape do sistema solar.

Olhando para o futuro da exploração interestelar, a NASA propôs a Sonda Interestelar (ISP), uma missão ambiciosa que visa realizar um "estilingue" gravitacional para fora do sistema solar. Com um lançamento previsto para meados da década de 2030, a ISP buscaria explorar o meio interestelar de forma mais aprofundada e com instrumentação mais avançada do que as missões pioneiras, prometendo revolucionar nossa compreensão do universo além de nossa vizinhança cósmica imediata.