Dois mundos onde o Sol nunca se move
Um lado apresenta temperaturas superiores a 200 graus Celsius, enquanto o outro está imerso em uma escuridão tão fria que atinge temperaturas inferiores a -200 graus Celsius.
Pontos-chave
- Em foco: Um lado apresenta temperaturas superiores a 200 graus Celsius, enquanto o outro está imerso em uma escuridão tão fria que atinge temperaturas
- Detalhe: Origem institucional: distinguir anúncio de evidência
- Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
Assim como a nossa Lua em relação à Terra, TRAPPIST-1b e TRAPPIST-1c estão travados gravitacionalmente, um fenômeno que sincroniza a rotação do planeta com sua órbita, fazendo com que a mesma face esteja sempre voltada para sua estrela hospedeira. A consequência direta desse travamento de maré é a ausência de um ciclo diário de dia e noite, o que impede a moderação natural das temperaturas. Sem esse mecanismo, não há ventos capazes de transportar calor de um hemisfério para outro, a menos que uma atmosfera substancial esteja presente para desempenhar essa função vital de redistribuição térmica.
Para desvendar esses segredos climáticos, uma equipe internacional de pesquisadores das Universidades de Genebra e Berna utilizou o Telescópio Espacial James Webb (JWST). Eles monitoraram continuamente ambos os planetas em luz infravermelha durante uma órbita completa, totalizando 60 horas de observação ininterrupta. Ao quantificar precisamente a radiação térmica emitida por cada planeta em seus lados diurno e noturno, os cientistas conseguiram elaborar os primeiros mapas de temperatura de mundos rochosos do tamanho da Terra orbitando uma estrela diferente do Sol, fornecendo dados inéditos sobre suas condições superficiais.
Os resultados revelaram que TRAPPIST-1b atinge temperaturas diurnas superiores a 200 graus Celsius, enquanto seu lado noturno despenca para menos de -200 graus Celsius. TRAPPIST-1c apresenta um cenário térmico análogo, com extremos igualmente marcantes entre seus hemisférios iluminado e escuro. Essa disparidade térmica acentuada sugere que ambos os planetas possuem atmosferas muito finas ou são completamente desprovidos delas, incapazes de reter e redistribuir o calor de forma eficaz. A ausência de uma atmosfera densa é um fator crucial para a manutenção de tais contrastes extremos.
A comparação com planetas do nosso próprio Sistema Solar ilustra a importância da atmosfera na regulação térmica. Mercúrio, por exemplo, quase sem atmosfera, exibe variações extremas de temperatura entre o dia e a noite. Em contraste, Vênus e a Terra, com suas atmosferas densas, conseguem moderar significativamente essas flutuações. A distância da estrela hospedeira, combinada com a presença ou ausência de uma atmosfera robusta, desempenha um papel fundamental na determinação do clima de um planeta. No caso de TRAPPIST-1b e 1c, a proximidade com sua estrela anã vermelha e a aparente falta de uma atmosfera protetora resultam em ambientes inóspitos.
Esses primeiros mapas climáticos representam um avanço significativo na exoplanetologia, oferecendo insights cruciais sobre a diversidade de condições que podem existir em mundos fora do nosso sistema solar. Compreender a composição e a dinâmica atmosférica desses planetas é essencial para avaliar seu potencial de habitabilidade e para refinar os modelos de formação e evolução planetária. A capacidade do Telescópio Espacial James Webb de caracterizar atmosferas de exoplanetas continuará a ser fundamental para futuras descobertas, aproximando-nos da resposta à pergunta sobre a existência de vida em outros lugares do universo.
Fonte original: Universe Today