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Fungos resistentes poderiam sobreviver à viagem a Marte
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Fungos resistentes poderiam sobreviver à viagem a Marte

Apesar dos rigorosos protocolos de limpeza da NASA, estudos indicam que fungos resistentes podem sobreviver às condições de uma viagem a Marte e, potencialmente, se reproduzir na.

Fonte original citada e enquadrada editorialmente pelo Cosmos Week. Universe Today
Assinatura editorialRedação do Cosmos Week
Publicado28 abr 2026 14h03
Atualizado2026-04-28
Tipo de coberturaJornalismo científico
Nível de evidênciaCobertura jornalística
Leitura4 min de leitura

Pontos-chave

  • Em foco: Apesar dos rigorosos protocolos de limpeza da NASA, estudos indicam que fungos resistentes podem sobreviver às condições de uma viagem a Marte e
  • Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
  • Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
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A NASA e outras agências espaciais dedicam considerável tempo e recursos à esterilização de suas missões. Bilhões de dólares são investidos anualmente em salas limpas, com o objetivo explícito de assegurar o funcionamento adequado dos equipamentos e, crucialmente, de evitar a contaminação acidental de corpos celestes, como Marte, com vida terrestre. Contudo, conforme apontado por Chander, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, e seus coautores, uma ameaça biológica distinta pode estar sendo subestimada: os fungos.

Os protocolos de limpeza padrão empregados nessas instalações, que incluem o uso de “trajes de coelho” por engenheiros e banhos de mais de 50 horas em temperaturas de 110°C – um processo conhecido como Redução Microbiana por Calor Seco (DHMR) –, são primariamente concebidos para erradicar bactérias. No entanto, há tempos se sabe que os fungos são microrganismos prevalentes, inclusive nas rigorosas salas limpas da NASA. Pesquisas revelaram a existência de 23 cepas fúngicas distintas cultivadas nessas mesmas instalações.

Para avaliar a resiliência desses microrganismos, foram realizados testes projetados para simular as condições de uma viagem interplanetária até a superfície de Marte. Esses experimentos representaram a tentativa mais fidedigna de replicar o ambiente que os fungos enfrentariam. Os resultados indicam que, se um fungo como o *Aspergillus calidoustus* sobreviver à descontaminação de uma sala limpa e for lançado em uma missão a Marte, há uma probabilidade considerável de que ele consiga chegar intacto à superfície marciana.

A implicação dessa sobrevivência é significativa. Caso uma missão pouse em uma “região especial” de Marte, ou nas suas proximidades, onde a presença ocasional de água líquida subterrânea é uma possibilidade, alguns dos esporos fúngicos poderiam, em tese, reativar-se. Nessas condições favoráveis, eles teriam o potencial de iniciar um processo de reprodução assexuada, estabelecendo uma colônia de vida terrestre em um ambiente extraterrestre.

Essa descoberta sublinha a complexidade dos desafios enfrentados pela proteção planetária. Embora os esforços atuais sejam robustos, a capacidade de fungos extremófilos de resistir a ambientes hostis e a protocolos de esterilização exige uma reavaliação contínua das estratégias de descontaminação. A distinção entre a resiliência bacteriana e fúngica torna-se crucial para o desenvolvimento de medidas mais eficazes que garantam a integridade científica das missões e a preservação de potenciais ecossistemas marcianos.