CubeSat de Superfície Contratado para a Missão do Asteroide Ramsés
A Agência Espacial Europeia (ESA) contratou a empresa espanhola EMXYS para desenvolver o primeiro CubeSat projetado para operar na superfície de um asteroide.
Pontos-chave
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A Agência Espacial Europeia (ESA) contratou a empresa espanhola EMXYS para o desenvolvimento do primeiro CubeSat projetado especificamente para operar na superfície de um asteroide. Batizado de Don Quijote, este pequeno satélite, do tamanho de uma caixa de sapatos, será implantado no asteroide Apophis pela missão Ramsés da ESA. A implantação ocorrerá antes da passagem do asteroide pela Terra, prevista para 13 de abril de 2029. Esta iniciativa representa um avanço significativo na exploração espacial, visando coletar dados cruciais diretamente da superfície de um corpo celeste.
A aproximação do Apophis em 2029 é vista como uma oportunidade científica sem precedentes. Orson Sutherland, gestor do programa da ESA para Marte e Além, destacou a raridade de um asteroide de tal magnitude – com 375 metros de diâmetro, comparável ao tamanho de um navio de cruzeiro – passar tão perto da Terra. Sua trajetória o levará a uma altitude de apenas 32.000 quilômetros, adentrando a órbita dos satélites geoestacionários. Essa proximidade oferece uma janela única para estudos detalhados que seriam impossíveis em outras circunstâncias, permitindo uma compreensão aprofundada da composição e das características físicas de Apophis.
Para otimizar a missão Ramsés, a ESA está reutilizando elementos de design da missão Hera, que já está a caminho do asteroide Dimorphos, com lançamento previsto para novembro. Assim como Hera, a missão Ramsés também transportará um par de CubeSats. Essas espaçonaves em miniatura, construídas a partir de unidades de 10 centímetros cúbicos, são essenciais para realizar observações mais próximas e detalhadas do alvo. A estratégia de utilizar CubeSats permite uma flexibilidade maior e a capacidade de coletar dados em locais de difícil acesso para a nave-mãe, maximizando o retorno científico da missão.
O desenvolvimento do Don Quijote apresenta desafios tecnológicos consideráveis, conforme explicado por Carrasco, CEO da EMXYS. Enquanto a empresa já forneceu plataformas CubeSat para a órbita baixa da Terra, o Don Quijote deve operar em um ambiente de espaço profundo muito mais hostil. Adicionalmente, ele precisará realizar um pouso autônomo em uma superfície desconhecida e, uma vez lá, não apenas sobreviver às condições extremas, mas também executar trabalhos científicos exigentes. Os dados coletados serão então transmitidos de volta à sua nave-mãe, Ramsés, exigindo sistemas de comunicação robustos e eficientes.
Para cumprir seus objetivos científicos, o CubeSat Don Quijote será equipado com um trio de instrumentos avançados. Entre eles, destaca-se o Gravímetro para Pequenos Objetos do Sistema Solar (GRASS), desenvolvido pelo Observatório Real da Bélgica em colaboração com a EMXYS. Este instrumento é projetado para medir o minúsculo campo gravitacional do asteroide, fornecendo informações cruciais sobre sua massa e densidade. Adicionalmente, o Instrumento Sísmico para Asteroides (SIA), proveniente do centro aeroespacial francês ISAE-SUPAERO, tem a importante tarefa de realizar as primeiras medições sísmicas em um asteroide, o que pode revelar detalhes sobre sua estrutura interna e composição.



Fonte original: ESA Space News