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Saúde das lontras sofre impactos terrestres e aquáticos
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Saúde das lontras sofre impactos terrestres e aquáticos

Pesquisa e educação ambiental contribuem para a produção de conhecimento e a conscientização sobre os mamíferos que habitam rios e zonas costeiras brasileiras.

Fonte original citada e enquadrada editorialmente pelo Cosmos Week. Pesquisa FAPESP Ciência
Assinatura editorialRedação do Cosmos Week
Publicado26 mai 2026 12h57
Atualizado2026-05-26
Tipo de coberturaJornalismo científico
Nível de evidênciaCobertura jornalística
Leitura4 min de leitura

Pontos-chave

  • Em foco: Pesquisa e educação ambiental contribuem para a produção de conhecimento e a conscientização sobre os mamíferos que habitam rios e zonas costeiras
  • Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
  • Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
Texto completo

A pesquisa e a educação ambiental desempenham um papel crucial na geração de conhecimento e na promoção da conscientização sobre as lontras, mamíferos que habitam rios e zonas costeiras brasileiras. Na Lagoa do Peri, em Florianópolis (SC), o Projeto Lontra dedica-se há 40 anos à observação desses mamíferos da espécie Lontra longicaudis, à coleta de dados sobre sua ecologia e à conscientização da população sobre a importância desses animais. Alessandra Bez Birolo, bióloga, engenheira de aquicultura e gerente de projetos no Instituto Ekko Brasil, descreve a lontra como uma "mensageira da saúde do ecossistema", evidenciando a paixão e o compromisso com a espécie. As lontras não se restringem à Lagoa do Peri; esses animais circulam por toda a ilha de Florianópolis, que se estende por 155 quilômetros de ponta a ponta, buscando ambientes estuarinos onde a água do mar se mistura com a dos rios.

A saúde das lontras, no entanto, revela preocupações ambientais significativas. Na Lagoa do Peri, por exemplo, 66% dos animais são portadores do parasita Toxoplasma gondii, agente causador da toxoplasmose, uma doença comum em gatos domésticos. Essa alta prevalência indica uma interação preocupante entre a vida selvagem e o ambiente urbano, onde a presença de felinos domésticos pode influenciar a saúde de ecossistemas aquáticos e seus habitantes.

Em outra região, no Vale do Itajaí, as lontras sofrem intoxicação por metais pesados, que se acumulam nos peixes de sua dieta, e por agrotóxicos provenientes do escoamento de plantações. Segundo Birolo, esses casos são um claro indicativo da deterioração da qualidade das águas locais, ressaltando como a poluição terrestre e aquática afeta diretamente a fauna silvestre. A lontra, ao se alimentar de peixes contaminados, atua como um bioindicador da saúde ambiental, refletindo os impactos da atividade humana nos ecossistemas fluviais e costeiros.

A bióloga Alessandra Bez Birolo, que integra o Projeto Lontra desde 2003, destaca a visão de Carvalho Junior, fundador da iniciativa. Ele concebeu o projeto com o propósito de democratizar o conhecimento ecológico, tornando-o acessível a comunidades locais, como ribeirinhos e indígenas que residem na região. As atividades de observação e pesquisa do projeto são realizadas preferencialmente pela manhã e no fim da tarde, com o cuidado de não perturbar as lontras, especialmente durante períodos sensíveis como o cuidado das mães com suas proles. Os filhotes se desenvolvem em terra firme por cerca de três meses antes de se aventurarem na água, período crucial que exige máxima cautela por parte dos pesquisadores.

Historicamente, as lontras enfrentaram grandes ameaças. Até a década de 1980, por exemplo, eram intensamente caçadas por suas peles, que eram utilizadas na confecção de estolas e casacos, o que levou a uma drástica redução de suas populações. A dificuldade de observação é um desafio constante para os pesquisadores. Alessandra Bez Birolo relata que, em estudos de campo, "a cada 100 noites de armadilha, pegamos uma lontra", o que justifica a amostragem muitas vezes limitada e a complexidade de obter dados sobre a espécie. Outros estudos também revelam a vulnerabilidade das lontras, como uma pesquisa realizada na Estação Ecológica do Taim, nos municípios gaúchos de Rio Grande e Santa Vitória do Palmar, como parte de um mestrado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que investigou aspectos da ecologia desses animais.