Matriz de radiotelescópio revela as massas de jovens estrelas escondidas
A Nebulosa de Orion oferece uma aula magistral no estudo de estrelas recém-nascidas como a região de nascimento estelar mais próxima de nós.
Pontos-chave
- Em foco: A Nebulosa de Orion oferece uma aula magistral no estudo de estrelas recém-nascidas como a região de nascimento estelar mais próxima de nós
- Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
- Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
A Nebulosa de Órion, a região de formação estelar mais próxima da Terra, é um laboratório natural para o estudo de estrelas recém-nascidas. No entanto, muitas das suas estrelas mais jovens permanecem ocultas, envoltas em densas nuvens de gás e poeira que bloqueiam a luz visível. Para superar essa barreira, astrônomos recorreram aos radiotelescópios Very Long Baseline Array (VLBA), que possuem a capacidade de penetrar esse véu empoeirado e obscuro. Esta abordagem permitiu a investigação detalhada de um par de sistemas binários jovens, denominados Brun 656 e HD 294300, que se formaram dentro da nebulosa.
A massa estelar é considerada a propriedade mais fundamental de uma estrela, influenciando diretamente sua evolução, tempo de vida e destino final. Contudo, medir essa massa em sistemas estelares jovens e imersos em suas nuvens de berçário é notoriamente desafiador. O VLBA resolveu essa dificuldade ao observar comprimentos de onda de rádio de 5 GHz, utilizando toda a sua rede de telescópios. Essa frequência específica é crucial porque, a 5 GHz, a poeira cósmica se torna transparente, permitindo que as ondas de rádio passem sem impedimentos e revelem o que está escondido.
As medições de rádio não apenas permitem a visualização através da poeira, mas também são capazes de detectar evidências de campos magnéticos e atividade em regiões onde as estrelas estão em processo de formação ou acabaram de nascer. A equipe de pesquisa, utilizando o VLBA, fez descobertas significativas sobre os sistemas binários estudados. Eles identificaram que o componente C de um desses sistemas é uma estrela de massa intermediária, estimada em aproximadamente 7 massas solares, e que exibe emissão de rádio não térmica, um indicativo de processos energéticos em sua atmosfera ou ambiente próximo.
Essas observações representam um avanço notável na caracterização de objetos estelares jovens (YSOs) no complexo de nascimento de Órion. As medições do VLBA são as primeiras a fornecer caracterizações detalhadas de múltiplos YSOs nessa região, oferecendo uma visão sem precedentes sobre as condições e processos que governam a formação estelar. A capacidade de determinar com precisão as massas e outras propriedades de estrelas jovens e ocultas é essencial para refinar nossos modelos de evolução estelar e planetária.
A Nebulosa de Órion é um complexo vasto e dinâmico, onde fenômenos como a formação de estrelas e anãs marrons ocorrem em diversas escalas. Por exemplo, a região M43, que faz parte da Nebulosa de Órion maior, abriga a estrela central NU Orionis, também conhecida como HD37061. Esta é uma jovem estrela variável irregular, cujo estudo, juntamente com o de outros objetos estelares jovens, contribui para um entendimento mais completo do ambiente de berçário estelar. A contínua exploração com radiotelescópios como o VLBA promete desvendar ainda mais os mistérios das primeiras fases da vida estelar.
Fonte original: Universe Today