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Nova Missão Espacial SMILE Investigará o Impacto de Tempestades Solares no Escudo Magnético Terrestre
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Nova Missão Espacial SMILE Investigará o Impacto de Tempestades Solares no Escudo Magnético Terrestre

Uma espaçonave conjunta euro-chinesa, a SMILE, será lançada na terça-feira para realizar as primeiras observações em raios X do campo magnético da Terra, investigando os efeitos.

Fonte original citada e enquadrada editorialmente pelo Cosmos Week. Phys. org Space
Assinatura editorialRedação do Cosmos Week
Publicado17 mai 2026 15h20
Atualizado2026-05-17
Tipo de coberturaJornalismo científico
Nível de evidênciaCobertura jornalística
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Pontos-chave

  • Em foco: Uma espaçonave conjunta euro-chinesa, a SMILE, será lançada na terça-feira para realizar as primeiras observações em raios X do campo magnético da
  • Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
  • Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
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Uma espaçonave conjunta euro-chinesa está programada para ser lançada na terça-feira com o objetivo de investigar os fenômenos que ocorrem quando ventos solares extremos e gigantescas explosões de plasma, provenientes do Sol, atingem o escudo magnético da Terra. Com o intuito de aprofundar o conhecimento sobre o clima espacial, ainda pouco compreendido, a sonda SMILE, que tem o tamanho de uma van, realizará as primeiras observações em raios X do campo magnético terrestre. O lançamento da espaçonave ocorrerá em um foguete Vega-C às 03h52 GMT de terça-feira, partindo do porto espacial europeu em Kourou, Guiana Francesa, localizado na costa nordeste da América do Sul.

A missão SMILE, sigla para Solar Wind Magnetosphere Ionosphere Link Explorer, representa uma colaboração estratégica entre a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Academia Chinesa de Ciências. Conforme explicou Philippe Escoubet, cientista da ESA envolvido no projeto, o principal objetivo do SMILE é estudar a complexa relação entre a Terra e o Sol. Essa iniciativa é crucial para entender como as atividades solares podem influenciar nosso planeta, desde a geração de auroras até a potencial interrupção de sistemas tecnológicos.

As poderosas explosões solares, que viajam a uma velocidade de aproximadamente dois milhões de quilômetros por hora, levam cerca de um a dois dias para alcançar a Terra. A história registra eventos significativos, como a pior tempestade geomagnética conhecida, ocorrida em 1859. Naquela ocasião, auroras brilhantes foram avistadas tão ao sul quanto o Panamá, e operadores de telégrafo em todo o mundo relataram ter recebido choques elétricos, evidenciando o impacto substancial dessas tempestades na infraestrutura e no ambiente terrestre.

Para contribuir com o estudo desses fenômenos, a missão SMILE planeja detectar os raios X emitidos quando partículas carregadas do Sol interagem com as partículas neutras presentes na atmosfera superior da Terra. Essa abordagem permitirá aos cientistas mapear e compreender melhor as dinâmicas de energia e matéria nessa região crítica. Além disso, a sonda pairará sobre os polos da Terra, áreas onde os fótons de raios X são mais visíveis, conforme detalhado por Dimitra Koutroumpa, do instituto francês CNRS, que também está trabalhando ativamente na missão.

Após o lançamento, a espaçonave será inicialmente posicionada a 700 quilômetros acima da Terra, antes de prosseguir para uma órbita extremamente elíptica. Em seu ponto mais distante, o SMILE atingirá 5 mil quilômetros de altitude ao sobrevoar o Polo Sul. Dessa posição estratégica, a sonda transmitirá os dados coletados para uma estação de pesquisa localizada na Antártica, conhecida como Bernardo O'Higgins. Essa infraestrutura terrestre é fundamental para o recebimento e processamento das informações cruciais que o SMILE enviará, contribuindo significativamente para a ciência do clima espacial.