Mais cagarras estão sendo encontradas mortas nas praias australianas: a causa não é 'natural'
As cagarras de cauda curta e as cagarras são comumente conhecidas como 'pássaros carneiros', e sua crescente mortalidade está ligada às alterações climáticas.
Pontos-chave
- Em foco: As cagarras de cauda curta e as cagarras são comumente conhecidas como 'pássaros carneiros', e sua crescente mortalidade está ligada às alterações
- Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
- Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
As cagarras de cauda curta e as cagarras, popularmente conhecidas como "pássaros carneiros", são aves marinhas notáveis por seus hábitos migratórios. Essas duas espécies se reproduzem nas ilhas do sudeste da Austrália e, anualmente, empreendem um voo ininterrupto de duas semanas através do Oceano Pacífico. Sua jornada as leva por mais de 10.000 quilômetros até o Mar de Bering, uma região próxima ao Alasca e à Rússia. A capacidade de resistência dessas aves é impressionante; pesquisadores, utilizando tecnologia de rastreamento, documentaram uma cagarra voando por 11 horas dentro do olho de um furacão, a uma altitude de 4.700 metros e enfrentando ventos superiores a 200 km/h.
Contudo, um fenômeno preocupante tem sido observado nas praias australianas: um número crescente de cagarras mortas ou moribundas. Esses animais são encontrados em uma vasta área, que se estende de Queensland à Tasmânia. Diferentemente do que se poderia supor, uma nova investigação aponta que a verdadeira causa dessas mortes nas águas australianas não é natural, mas sim a fome, diretamente ligada aos efeitos das alterações climáticas.
A migração é um comportamento comum entre as aves; das aproximadamente 10.000 espécies existentes no mundo, cerca de 1.800 realizam longas viagens anuais. Essa dependência de rotas e ecossistemas específicos torna as aves migratórias particularmente vulneráveis a mudanças ambientais. A saúde dos oceanos, por exemplo, é crucial para a sobrevivência de espécies como as cagarras, que dependem de vastas áreas marinhas para alimentação durante suas jornadas épicas.
O impacto das alterações climáticas nos oceanos é um fator crítico para a compreensão desse fenômeno. Mais de 90% do calor extra retido pela atmosfera devido às alterações climáticas é absorvido pelos oceanos. Esse aquecimento excessivo tem consequências diretas, como o aumento da frequência e intensidade das ondas de calor marinhas. Tais eventos alteram drasticamente os ecossistemas marinhos, afetando a disponibilidade de alimentos para aves como as cagarras.
As ondas de calor marinhas provocam mudanças significativas na distribuição e abundância de presas, como peixes pequenos e krill, que são a base da dieta das cagarras. Com a escassez de alimentos em suas rotas migratórias e áreas de forrageamento, as aves enfraquecem e morrem de inanição. Um precedente alarmante ocorreu entre 2014 e 2015, quando aproximadamente 400.000 auklets de Cassin morreram no noroeste do Pacífico dos Estados Unidos, um evento também atribuído à escassez de alimentos causada por condições oceânicas anormais.
A crescente mortalidade de cagarras nas praias australianas serve como um alerta contundente sobre as consequências das alterações climáticas para a vida selvagem marinha. A fome, impulsionada por oceanos mais quentes e com menor oferta de alimentos, representa uma ameaça direta à sobrevivência dessas e de outras espécies migratórias. É imperativo que a comunidade científica e as autoridades ambientais continuem a monitorar esses eventos e a buscar soluções para mitigar os impactos das mudanças climáticas nos ecossistemas marinhos globais.

Fonte original: Phys. org Biology