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Mata Atlântica conectada pode triplicar absorção de carbono
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Mata Atlântica conectada pode triplicar absorção de carbono

Em fragmentos interligados, árvores cresceram mais e aumentou a diversidade de fungos e bactérias.

Fonte original citada e enquadrada editorialmente pelo Cosmos Week. Pesquisa FAPESP Ciência
Assinatura editorialRedação do Cosmos Week
Publicado27 mai 2026 12h57
Atualizado2026-05-27
Tipo de coberturaJornalismo científico
Nível de evidênciaCobertura jornalística
Leitura4 min de leitura

Pontos-chave

  • Em foco: Em fragmentos interligados, árvores cresceram mais e aumentou a diversidade de fungos e bactérias
  • Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
  • Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
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Dois estudos recentes realizados na Mata Atlântica revelaram novas e importantes facetas dos corredores ecológicos. Nesses trechos de floresta, por onde animais circulam entre fragmentos de vegetação, carregando sementes e aumentando a diversidade, observou-se que as árvores cresceram mais. Paralelamente, um grupo do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP) identificou um aumento significativo na diversidade de fungos e bactérias decompositores, que são benéficos para as plantas. A geógrafa brasileira Thais Michele Rosan, pesquisadora em estágio de pós-doutorado na Universidade de Exeter e primeira autora de um artigo publicado em abril, relata que "fragmentos conectados de mata podem absorver entre 43% e 69% mais carbono do que os mais isolados".

A pesquisa liderada por Rosan destacou que, em uma região específica do bioma, abrangendo áreas do oeste e do litoral, a absorção de carbono foi três vezes maior do que em outras partes da Mata Atlântica. Esse fenômeno é atribuído à umidade e à riqueza de nutrientes presentes no solo local. A equipe de Rosan estimou a captura de gás carbônico entre 1986 e 2020, utilizando imagens do satélite Landsat para identificar as áreas em regeneração em todo o bioma. Segundo a pesquisadora, "aumentar a conectividade da floresta pode ajudar o país a se aproximar da meta de 53% de redução das emissões de carbono até 2030, estabelecida pelo Acordo de Paris".

A metodologia empregada por Rosan permitiu inferir que áreas de florestas com baixa conectividade podem levar, em média, cerca de 200 anos para atingir o nível original de carbono acima do solo. Em contraste, nas áreas mais conectadas, esse tempo pode ser drasticamente reduzido para aproximadamente 45 anos. Essa diferença temporal sublinha a importância da conectividade para a recuperação e resiliência dos ecossistemas florestais.

Complementando esses achados, Guilherme Martins, pesquisador de doutorado do Cena-USP e primeiro autor de um estudo correlato, detalha o impacto da conectividade na vida microbiana do solo. Ele afirma que "a população de fungos e bactérias decompositores, que transformam as moléculas da matéria orgânica e liberam nutrientes para as plantas, aumentou entre 5% e 13%". Essa proliferação de microrganismos é crucial para a saúde do ecossistema, pois otimiza a ciclagem de nutrientes e a fertilidade do solo.

Martins também ressalta um aumento significativo na concentração de nitrogênio. "A concentração de nitrogênio produzido por bactérias, um nutriente essencial para as plantas, aumentou em até 30%", acrescenta o pesquisador. O nitrogênio é vital para o crescimento vegetal, sendo um componente fundamental de proteínas e ácidos nucleicos. O incremento em sua disponibilidade, mediado pela atividade bacteriana em corredores ecológicos, demonstra um benefício direto e substancial para a produtividade e a vitalidade da flora da Mata Atlântica.