Lyra, a Harpa, contém Vega, uma joia do verão
A constelação de Lyra, a Harpa, abriga Vega, a segunda estrela mais brilhante do céu do norte. É um ponto de referência notável nas noites de verão do Hemisfério Norte.
Pontos-chave
- Em foco: A constelação de Lyra, a Harpa, abriga Vega, a segunda estrela mais brilhante do céu do norte
- Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
- Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
A constelação de Lyra, conhecida como a Harpa, é um dos agrupamentos estelares mais notáveis do céu noturno, especialmente durante as noites de verão do Hemisfério Norte. Sua estrela mais proeminente, Vega, é a quinta estrela mais brilhante do céu da Terra e a segunda mais luminosa visível predominantemente no Hemisfério Norte. Vega é também um dos vértices do famoso Triângulo do Verão, um asterismo facilmente identificável que inclui Deneb, da constelação de Cisne, e Altair, da constelação de Águia. Este triângulo se torna visível no leste durante as noites de junho e julho, servindo como um guia útil para observadores celestes.
A visibilidade de Lyra e, consequentemente, de Vega, varia significativamente dependendo da latitude do observador. Para aqueles no Hemisfério Sul, a constelação aparece mais baixa no horizonte norte. Por exemplo, Lyra atinge aproximadamente 39 graus acima do horizonte norte em Darwin, 24 graus em Brisbane, 17 graus em Sydney, 13 graus em Melbourne e apenas 8 graus em Christchurch. Essa perspectiva austral confere a Lyra uma aparência distinta, com a estrela Sulafat, por exemplo, posicionada cerca de 6 graus mais alta que Vega no campo de visão. Essa inclinação também afeta a localização aparente de outros objetos celestes dentro da constelação, como a famosa Nebulosa do Anel, M57, que se encontra acima de Vega no céu observado do sul.
Dentro dos limites de Lyra, encontra-se um sistema estelar fascinante conhecido como Epsilon Lyrae, frequentemente apelidado de "A Dupla Dupla". Embora a olho nu pareça ser uma única estrela, um par de binóculos ou um pequeno telescópio revela que Epsilon Lyrae é, na verdade, um sistema quádruplo. Em meados da década de 1980, astrônomos confirmaram a natureza binária de cada um dos dois componentes principais, Epsilon¹ Lyrae e Epsilon² Lyrae, que estão separados por cerca de 3, 5 minutos de arco. Cada um desses componentes é, por sua vez, um sistema binário, com as estrelas individuais de Epsilon¹ e Epsilon² separadas por aproximadamente 2, 3 e 2, 6 segundos de arco, respectivamente. A distância entre os dois pares principais é de aproximadamente 10 minutos de arco, o que permite que sejam facilmente separados com binóculos, proporcionando uma visão impressionante para os entusiastas da astronomia.
Outro objeto de grande interesse em Lyra é a Nebulosa do Anel, catalogada como M57. Esta é uma das nebulosas planetárias mais conhecidas e estudadas, formada a partir das camadas externas de uma estrela moribunda, semelhante ao nosso Sol, que se expandiram para o espaço. A nebulosa apresenta uma forma toroidal característica, que lhe confere a aparência de um anel brilhante quando observada através de telescópios. M57 possui uma magnitude aparente de aproximadamente 9, 0 e está localizada a cerca de 2.300 anos-luz da Terra. Sua beleza e estrutura complexa a tornam um alvo popular para astrônomos amadores e profissionais, oferecendo uma janela para os estágios finais da evolução estelar.
A constelação de Lyra possui uma rica história mitológica, frequentemente associada à lira de Orfeu, o lendário músico da mitologia grega. Diz-se que a lira de Orfeu, criada por Hermes e dada a Apolo, era tão encantadora que podia acalmar feras selvagens e mover pedras. Após a morte de Orfeu, Zeus teria colocado sua lira no céu como uma constelação, imortalizando sua música entre as estrelas. Essa conexão com a mitologia adiciona uma camada cultural à observação de Lyra, tornando-a não apenas um objeto de estudo científico, mas também um símbolo de arte e inspiração. A pequena, mas brilhante, constelação de Lyra continua a cativar observadores com suas estrelas proeminentes e objetos de céu profundo, convidando à exploração e admiração do cosmos.
Fonte original: EarthSky