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Estudos de Organismos Bioluminescentes Impulsionam Propostas de Ecoturismo
BiologiaEdição em portuguêsJornalismo científicoCobertura jornalística

Estudos de Organismos Bioluminescentes Impulsionam Propostas de Ecoturismo

Vagalumes e outros seres luminosos podem gerar renda, de forma controlada, para reservas ecológicas.

Fonte original citada e enquadrada editorialmente pelo Cosmos Week. Pesquisa FAPESP Ciência
Assinatura editorialRedação do Cosmos Week
Publicado01 jun 2026 14h11
Atualizado2026-06-01
Tipo de coberturaJornalismo científico
Nível de evidênciaCobertura jornalística
Leitura4 min de leitura

Pontos-chave

  • Em foco: Vagalumes e outros seres luminosos podem gerar renda, de forma controlada, para reservas ecológicas
  • Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
  • Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
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A bioluminescência, fenômeno natural em que organismos vivos emitem luz, representa um potencial inexplorado para o ecoturismo e a geração de renda em reservas ecológicas, desde que gerenciado de forma controlada e sustentável. Desde 2007, o biólogo Danilo Trabuco do Amaral tem se dedicado a expedições noturnas em regiões de mata fechada, tanto no estado de São Paulo quanto em outras localidades do Brasil, com o objetivo de identificar e estudar diversas espécies de vagalumes. Sua pesquisa busca não apenas catalogar a biodiversidade desses seres luminosos, mas também compreender como seu espetáculo natural pode ser integrado a iniciativas de conservação e desenvolvimento local, transformando a observação da vida selvagem em uma ferramenta para a proteção ambiental.

Entre os locais explorados, a Estação Ecológica de Jureia-Itatins (EEJI), situada em Peruíbe, no litoral sul de São Paulo, destacou-se como um dos mais impressionantes para o pesquisador da Universidade Federal do ABC (UFABC). Este trecho da Mata Atlântica, com 844 quilômetros quadrados (km²) de extensão, é reconhecido por seu excelente estado de preservação. Durante suas observações na EEJI, Amaral registrou uma notável concentração de vagalumes, chegando a avistar até 15 indivíduos por metro de trilha em uma única noite. Essa abundância e a diversidade de espécies encontradas na região sublinham o valor ecológico da Jureia e seu potencial para o ecoturismo de bioluminescência.

Em um levantamento inédito realizado na Jureia-Itatins, Amaral e sua equipe documentaram a presença de 23 espécies de vagalumes, além de quatro espécies de fungos e um microrganismo marinho, todos com a capacidade de brilhar no escuro. Esse conjunto de descobertas revela um espetáculo natural de grande beleza e relevância científica, com um claro potencial para aliar o turismo à conservação da natureza. Os resultados dessa pesquisa foram detalhadamente discutidos em um artigo publicado em fevereiro na revista Journal for Nature Conservation. Nele, os pesquisadores exploraram os possíveis benefícios de fomentar o ecoturismo de bioluminescência não apenas na EEJI, mas também em outras reservas de Mata Atlântica, propondo um modelo que equilibre a visitação com a proteção dos ecossistemas.

A exploração do ecoturismo de bioluminescência já é uma realidade em outras partes do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Parque Nacional das Grandes Montanhas Fumegantes, localizado entre o Tennessee e a Carolina do Norte, implementou, a partir dos anos 2000, programas de visitação controlada. Pequenos grupos de turistas são recebidos para observar o fascinante fenômeno da sincronização, no qual centenas a milhares de vagalumes do gênero *Photinus* piscam em uníssono, criando um espetáculo luminoso coordenado. Apesar de o Brasil ser o país com a maior diversidade de besouros bioluminescentes, abrigando cerca de 500 das aproximadamente 3 mil espécies conhecidas globalmente, seu potencial turístico nesse segmento ainda é pouco explorado, indicando uma vasta oportunidade para o desenvolvimento de novas rotas de ecoturismo sustentável.

Apesar de suas visitas anteriores e do reconhecimento do potencial da Jureia, um projeto de pesquisa mais focado na região foi intensificado a partir de janeiro de 2024. Para este período, que se estende até janeiro de 2026, Danilo Amaral conta com a colaboração de sua esposa, a bióloga Isabel Bonatelli, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A equipe de pesquisa é complementada por três orientandos: o aluno de graduação Rodrigo Castro e os mestrandos João Roberto Machado e Lara Muniz. Juntos, eles aprofundam os estudos sobre a bioluminescência na Estação Ecológica de Jureia-Itatins, buscando consolidar dados que possam subsidiar a implementação de práticas de ecoturismo responsáveis e benéficas para a conservação local.