O cometa interestelar 3I/ATLAS deixou um rastro de metano
Uma nova análise dos dados obtidos pelo JWST sobre o 3I/ATLAS, enquanto ele saía do Sistema Solar, revelou que seu interior é rico em gelo de metano.
Pontos-chave
- Em foco: Uma nova análise dos dados obtidos pelo JWST sobre o 3I/ATLAS, enquanto ele saía do Sistema Solar, revelou que seu interior é rico em gelo de metano
- Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
- Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
Uma nova análise dos dados obtidos pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST) sobre o cometa interestelar 3I/ATLAS, enquanto ele saía do Sistema Solar, revelou que seu interior é rico em gelo de metano. Este objeto, que fez sua passagem mais próxima do Sol em 30 de outubro, desapareceu atrás da estrela do ponto de vista da Terra e, subsequentemente, iniciou sua jornada para fora do Sistema Solar. A compreensão da composição de objetos interestelares como o 3I/ATLAS é crucial para desvendar a diversidade química de outros sistemas planetários e os processos de formação de cometas em diferentes ambientes estelares.
O JWST, uma das missões designadas para observar o 3I/ATLAS, realizou sua primeira observação em 6 de agosto de 2025. Naquela ocasião, o telescópio detectou uma coma composta em grande parte por dióxido de carbono. Equipado com instrumentos e espectrômetros infravermelhos de alta sensibilidade, o JWST possui a capacidade única de detectar e mapear uma vasta gama de compostos voláteis à medida que esses objetos interestelares (ISOs) experimentam a liberação de gases. Essa capacidade é fundamental para caracterizar a química interna desses visitantes cósmicos.
Contudo, uma análise posterior dos dados, realizada pela equipe de Belyakov, obtidos quando o cometa já estava deixando o Sistema Solar em dezembro de 2025, revelou uma mudança significativa. Após sua passagem próxima ao Sol, o 3I/ATLAS começou a emitir uma quantidade consideravelmente maior de metano. Essa observação sugere que o calor solar pode ter sublimado camadas mais profundas do cometa, expondo reservatórios de gelo de metano que não eram evidentes nas observações iniciais.
O comportamento do 3I/ATLAS difere notavelmente dos dois objetos interestelares anteriores detectados em nosso Sistema Solar: 1I/'Oumuamua, em 2017, e 2I/Borisov, em 2019. Enquanto o 3I/ATLAS exibiu uma emissão de metano proeminente após sua aproximação solar, os antecessores não demonstraram o mesmo padrão de liberação de gases voláteis. Essa distinção ressalta a diversidade na composição e na evolução térmica de cometas interestelares, fornecendo pistas importantes sobre suas origens e histórias.
A detecção de 2I/Borisov, por exemplo, ocorreu por um astrônomo amador quando o cometa estava a mais de 3 unidades astronômicas (UA) do Sol, uma distância equivalente a três vezes a distância entre a Terra e o Sol. Essa detecção precoce permitiu um estudo prolongado de suas características antes de sua máxima aproximação solar. Em contraste, o 3I/ATLAS foi observado em diferentes fases de sua jornada, permitindo a identificação da mudança na emissão de gases voláteis.
O JWST está programado para analisar o 3I/ATLAS mais uma vez na próxima primavera, o que poderá fornecer dados adicionais sobre sua composição e atividade. Atualmente, o cometa encontra-se nas proximidades de Júpiter, continuando sua trajetória para fora do Sistema Solar. Imagens adicionais do 3I/ATLAS foram adquiridas pelo instrumento Moons and Jupiter Imaging Spectrometer (MAJIS), a bordo da missão Juice da ESA, complementando as observações do JWST e oferecendo uma visão mais completa do objeto.
Os resultados desta pesquisa foram detalhados no artigo intitulado “O inventário volátil de 3I/ATLAS visto com JWST/MIRI”. O estudo teve como coautores Ian Wong, do Space Telescope Science Institute (STScI), e o professor Mike Brown, da Divisão de Ciências Geológicas e Planetárias (GPS) da Caltech. A colaboração entre diferentes instituições e a utilização de múltiplos instrumentos de observação são essenciais para avançar nosso conhecimento sobre esses fascinantes visitantes de outros sistemas estelares.
Fonte original: Universe Today