O cometa interestelar 3I/ATLAS tem origens antigas e frias
O mais recente visitante interestelar, o cometa 3I/ATLAS, viajou pela nossa galáxia por aproximadamente 10 a 12 bilhões de anos antes de se aproximar do Sol.
Pontos-chave
- Em foco: O mais recente visitante interestelar, o cometa 3I/ATLAS, viajou pela nossa galáxia por aproximadamente 10 a 12 bilhões de anos antes de se aproximar
- Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
- Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
O cometa interestelar 3I/ATLAS, o mais recente visitante de fora do nosso sistema solar, empreendeu uma jornada pela Via Láctea por um período estimado entre 10 e 12 bilhões de anos antes de se aproximar do Sol. A pesquisa que detalha suas origens antigas e frias foi inicialmente divulgada na revista Sky & Telescope, destacando a importância desse objeto para a compreensão da formação planetária em outros sistemas estelares. Até o momento, apenas três objetos interestelares foram identificados: o 1I/’Oumuamua, descoberto em 2017 e notável por sua natureza não cometária, e o 2I/Borisov, que se assemelha mais a um cometa típico. A chegada do 3I/ATLAS oferece uma oportunidade ímpar para estudar materiais de regiões distantes da galáxia.
A velocidade observada do 3I/ATLAS permitiu aos astrônomos inferir que ele viajou pela Via Láctea por um período considerável, estimado em pelo menos 3 bilhões de anos, antes de alcançar o nosso sistema solar. Essa longa jornada é consistente com as múltiplas interações gravitacionais que o objeto teria experimentado com diversas estrelas ao longo do tempo, resultando em sua aceleração progressiva. Uma equipe de pesquisadores, liderada por Cordiner, dedicou-se ao exame detalhado do cometa utilizando o Telescópio Espacial James Webb (JWST). Os resultados preliminares dessa investigação aprofundada foram prontamente publicados no servidor de pré-impressão astronômico arXiv, disponibilizando os dados para a comunidade científica.
Devido ao seu tamanho considerável, estimado em aproximadamente 1, 3 quilômetros (ou 0, 8 milhas) de diâmetro, o 3I/ATLAS apresentou um brilho significativamente maior em comparação com os dois primeiros visitantes interestelares. Essa característica o tornou um alvo de estudo mais proeminente. Ele atingiu a 9ª magnitude em seu periélio, em 29 de outubro de 2025, momento em que se aproximou mais do Sol. Contudo, sua distância mínima ao Sol foi de 1, 36 Unidades Astronômicas (UA), permanecendo assim fora da órbita terrestre e garantindo que não representasse risco de colisão.
Apesar de sua proximidade com o Sol, o 3I/ATLAS não estava em uma posição favorável para observação a partir da Terra durante seu periélio. Nesse período, o cometa se encontrava atrás do Sol em relação ao nosso ponto de vista, dificultando a captação de imagens e dados por telescópios terrestres. No entanto, essa limitação foi superada pela capacidade de observatórios espaciais, que conseguiram coletar dados valiosos sobre o cometa durante esse período crucial. A utilização de tecnologia espacial foi fundamental para contornar as restrições impostas pela geometria orbital.
O Telescópio Espacial James Webb (JWST) desempenhou um papel crucial na coleta de informações sobre o 3I/ATLAS. Em agosto de 2025, o JWST capturou o espectro do cometa, fornecendo dados essenciais sobre sua composição. Naquele momento, o objeto ainda estava a uma distância considerável do Sol, cerca de 3, 3 Unidades Astronômicas (aproximadamente o dobro da distância de Marte ao Sol), o que permitiu observações em um estado menos alterado pela radiação solar.
As observações do Webb não se limitaram a um único momento. Após o período de vaporização de gases, que culminou em 29 de outubro de 2025, o telescópio observou o cometa novamente no final de dezembro do mesmo ano. Essa sequência de observações, antes e depois do periélio e da intensa atividade cometária, é vital para os cientistas analisarem as mudanças na composição e na atividade do 3I/ATLAS à medida que ele interage com o ambiente solar. Tais dados são fundamentais para desvendar os segredos de sua formação e evolução em um sistema estelar distante.


Fonte original: Sky & Telescope