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Moléculas ocultas de plantas mostram atividade até 25 vezes mais forte contra Ebola e COVID-19
QuímicaEdição em portuguêsJornalismo científicoCobertura jornalística

Moléculas ocultas de plantas mostram atividade até 25 vezes mais forte contra Ebola e COVID-19

Cientistas do Instituto de Pesquisa Clínica de Montreal, afiliado à Universidade de Montreal, identificaram uma nova família de moléculas naturais com forte atividade antiviral.

Fonte original citada e enquadrada editorialmente pelo Cosmos Week. Phys. org Chemistry
Assinatura editorialRedação do Cosmos Week
Publicado02 mai 2026 15h00
Atualizado2026-05-02
Tipo de coberturaJornalismo científico
Nível de evidênciaCobertura jornalística
Leitura4 min de leitura

Pontos-chave

  • Em foco: Cientistas do Instituto de Pesquisa Clínica de Montreal, afiliado à Universidade de Montreal, identificaram uma nova família de moléculas naturais
  • Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
  • Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
Texto completo

Cientistas do Instituto de Pesquisa Clínica de Montreal (IRCM), afiliado à Universidade de Montreal, identificaram uma nova família de moléculas naturais com potente atividade antiviral. Essa descoberta é particularmente relevante contra o vírus Ebola e o SARS-CoV-2, agente etiológico da COVID-19. A pesquisa surge em um momento de crescentes preocupações com o rápido surgimento de novas pandemias, reforçando a busca contínua do IRCM por agentes antivirais inovadores derivados de fontes naturais.

O estudo, detalhado em uma publicação no Journal of Natural Products, foi liderado pelo professor médico emérito da Universidade de Montreal, Michel Chrétien, e por Majambu Mbikay, do laboratório de endoproteólise funcional do IRCM. A investigação atual baseia-se em trabalhos anteriores do IRCM. Já em 2016, e novamente em 2020, pesquisadores do instituto demonstraram que um extrato vegetal rico em isoquercitrina, um flavonoide comum em diversas plantas, exibia forte atividade antiviral em condições laboratoriais.

Para desvendar a composição exata por trás dessa atividade promissora, Mbikay e sua assistente de pesquisa Annie Roy embarcaram em uma busca minuciosa, descrita como a proverbial "agulha no palheiro". Esse esforço exigiu quase 30 meses de pesquisa intensiva para isolar e caracterizar os componentes ativos. O resultado dessa dedicação foi a identificação de moléculas inéditas, denominadas dicitriósidos. Embora presentes em uma concentração mínima de apenas 0, 4% no extrato analisado, essas moléculas demonstraram ser extraordinariamente potentes, provando ser até 25 vezes mais ativas do que o extrato original contra o vírus Ebola e o SARS-CoV-2 em condições experimentais.

"Esta descoberta ilustra como os compostos presentes em quantidades cada vez menores na natureza podem ter um grande potencial terapêutico", afirmou Mbikay. Ele também enfatizou a importância de "examinar cuidadosamente a verdadeira composição dos produtos naturais utilizados na investigação biomédica", sublinhando a necessidade de rigor na análise de produtos naturais para a pesquisa biomédica.

Apesar de o trabalho ainda se encontrar na fase pré-clínica, os pesquisadores ressaltam que ele "abre caminhos promissores para a descoberta de novos antivirais de largo espectro". Essa linha de pesquisa sublinha o valor da exploração aprofundada de recursos naturais para o desenvolvimento de soluções farmacológicas inovadoras frente a desafios de saúde global.