Moléculas ocultas de plantas mostram atividade até 25 vezes mais forte contra Ebola e COVID-19
Cientistas do Instituto de Pesquisa Clínica de Montreal, afiliado à Universidade de Montreal, identificaram uma nova família de moléculas naturais com forte atividade antiviral.
Pontos-chave
- Em foco: Cientistas do Instituto de Pesquisa Clínica de Montreal, afiliado à Universidade de Montreal, identificaram uma nova família de moléculas naturais
- Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
- Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
Cientistas do Instituto de Pesquisa Clínica de Montreal (IRCM), afiliado à Universidade de Montreal, identificaram uma nova família de moléculas naturais com potente atividade antiviral. Essa descoberta é particularmente relevante contra o vírus Ebola e o SARS-CoV-2, agente etiológico da COVID-19. A pesquisa surge em um momento de crescentes preocupações com o rápido surgimento de novas pandemias, reforçando a busca contínua do IRCM por agentes antivirais inovadores derivados de fontes naturais.
O estudo, detalhado em uma publicação no Journal of Natural Products, foi liderado pelo professor médico emérito da Universidade de Montreal, Michel Chrétien, e por Majambu Mbikay, do laboratório de endoproteólise funcional do IRCM. A investigação atual baseia-se em trabalhos anteriores do IRCM. Já em 2016, e novamente em 2020, pesquisadores do instituto demonstraram que um extrato vegetal rico em isoquercitrina, um flavonoide comum em diversas plantas, exibia forte atividade antiviral em condições laboratoriais.
Para desvendar a composição exata por trás dessa atividade promissora, Mbikay e sua assistente de pesquisa Annie Roy embarcaram em uma busca minuciosa, descrita como a proverbial "agulha no palheiro". Esse esforço exigiu quase 30 meses de pesquisa intensiva para isolar e caracterizar os componentes ativos. O resultado dessa dedicação foi a identificação de moléculas inéditas, denominadas dicitriósidos. Embora presentes em uma concentração mínima de apenas 0, 4% no extrato analisado, essas moléculas demonstraram ser extraordinariamente potentes, provando ser até 25 vezes mais ativas do que o extrato original contra o vírus Ebola e o SARS-CoV-2 em condições experimentais.
"Esta descoberta ilustra como os compostos presentes em quantidades cada vez menores na natureza podem ter um grande potencial terapêutico", afirmou Mbikay. Ele também enfatizou a importância de "examinar cuidadosamente a verdadeira composição dos produtos naturais utilizados na investigação biomédica", sublinhando a necessidade de rigor na análise de produtos naturais para a pesquisa biomédica.
Apesar de o trabalho ainda se encontrar na fase pré-clínica, os pesquisadores ressaltam que ele "abre caminhos promissores para a descoberta de novos antivirais de largo espectro". Essa linha de pesquisa sublinha o valor da exploração aprofundada de recursos naturais para o desenvolvimento de soluções farmacológicas inovadoras frente a desafios de saúde global.
Fonte original: Phys. org Chemistry