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GWTC-5.0: Restrições na taxa de expansão cósmica e propagação de ondas gravitacionais modificadas
CosmologiaEdição em portuguêsPreprintResultado provisório

GWTC-5.0: Restrições na taxa de expansão cósmica e propagação de ondas gravitacionais modificadas

Utilizamos 236 fontes de ondas gravitacionais do quinto Catálogo Transiente de Ondas Gravitacionais da Colaboração LIGO--Virgo--KAGRA (GWTC-5.

Fonte original citada e enquadrada editorialmente pelo Cosmos Week. arXiv Cosmology
Assinatura editorialRedação do Cosmos Week
Publicado26 mai 2026 16h09
Atualizado2026-05-27
Tipo de coberturaPreprint
Nível de evidênciaResultado provisório
Leitura4 min de leitura

Pontos-chave

  • Em foco: Utilizamos 236 fontes de ondas gravitacionais do quinto Catálogo Transiente de Ondas Gravitacionais da Colaboração LIGO--Virgo--KAGRA (GWTC-5
  • Detalhe: Resultado ainda sem revisão por pares
  • Leitura editorial: resultado provisório, ainda sem revisão por pares formal.
Texto completo

Este estudo emprega um conjunto de 236 fontes de ondas gravitacionais (GW) provenientes do quinto Catálogo Transiente de Ondas Gravitacionais da Colaboração LIGO--Virgo--KAGRA (LVK), conhecido como GWTC-5.0, com o objetivo primordial de estimar a constante de Hubble ($H_0$). A determinação precisa de $H_0$ é crucial para a cosmologia, pois quantifica a taxa atual de expansão do universo e é um parâmetro fundamental para o modelo cosmológico padrão. A abordagem central envolve a comparação das distâncias de luminosidade, medidas a partir dos sinais de ondas gravitacionais, com os redshifts inferidos por métodos complementares. Esta metodologia permite explorar a relação entre a distância e o redshift, fornecendo restrições valiosas sobre os parâmetros cosmológicos.

Para inferir o redshift das fontes de ondas gravitacionais, foram utilizadas duas estratégias distintas. Primeiramente, empregou-se a análise de características presentes no espectro de massa das fontes, que podem ser correlacionadas com o redshift. Em segundo lugar, recorreu-se à associação estatística com galáxias hospedeiras potenciais, utilizando catálogos de galáxias para identificar possíveis anfitriãs para os eventos de ondas gravitacionais. A combinação dessas abordagens visa mitigar incertezas e fornecer uma estimativa mais robusta do redshift, essencial para a calibração da relação distância-redshift e, consequentemente, para a obtenção de restrições precisas nos parâmetros cosmológicos, incluindo $H_0$.

A estimativa da constante de Hubble apresentada neste trabalho integra diversas fontes de informação. Ela combina dados da distribuição de massa no referencial da fonte com a medição de $H_0$ obtida a partir do evento GW170817 e sua contraparte eletromagnética, que forneceu uma 'sirene padrão' com redshift conhecido. Adicionalmente, foram incorporadas informações do catálogo de galáxias do Dark Energy Survey Year 6 (DES-Y6), que contribui para a associação estatística de galáxias hospedeiras e para a compreensão da distribuição de matéria em larga escala. Essa integração de dados multifacetados é fundamental para aprimorar a precisão e a confiabilidade da estimativa de $H_0$.

A partir da análise combinada, estimamos a constante de Hubble em $H_0 = {71, 0}_{-7, 1}^{+9, 0}\, {\text{km}\, \text{s}^{-1}\, \text{Mpc}^{-1}}$. Este valor representa a mediana da distribuição de probabilidade, acompanhada por um intervalo de credibilidade simétrico de $68\%$. A incerteza associada reflete as limitações dos dados e dos modelos atuais, mas a precisão alcançada demonstra o potencial das ondas gravitacionais como sondas cosmológicas independentes. Esta medição contribui para o debate em curso sobre a tensão de Hubble, que se refere à discrepância entre as medições de $H_0$ obtidas por diferentes métodos cosmológicos, como os baseados no fundo cósmico de micro-ondas e os baseados em supernovas tipo Ia.

A capacidade de utilizar ondas gravitacionais para inferir parâmetros cosmológicos, como $H_0$, abre novas perspectivas para a cosmologia observacional. As 'sirenes padrão' de ondas gravitacionais oferecem uma forma independente de medir distâncias cosmológicas, complementando as técnicas eletromagnéticas tradicionais. A contínua acumulação de eventos de ondas gravitacionais por detectores como LIGO, Virgo e KAGRA, juntamente com o aprimoramento das metodologias de análise, promete refinar ainda mais essas medições. Tais avanços são cruciais para testar modelos cosmológicos, investigar a natureza da energia escura e da matéria escura, e compreender a evolução do universo em diferentes épocas.

É importante ressaltar que os resultados apresentados neste estudo são preliminares e ainda não foram submetidos ao processo de revisão por pares. A revisão por pares é uma etapa essencial no processo científico, garantindo a validação da metodologia, a robustez das análises e a interpretação dos resultados pela comunidade científica. Futuras análises e a incorporação de um número ainda maior de eventos de ondas gravitacionais, bem como o refinamento dos modelos teóricos e das técnicas de inferência, serão fundamentais para consolidar e aprimorar estas restrições na taxa de expansão cósmica e na propagação de ondas gravitacionais modificadas.