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Genoma do tubarão da Groenlândia revela pistas sobre a expectativa de vida de 400 anos
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Genoma do tubarão da Groenlândia revela pistas sobre a expectativa de vida de 400 anos

O primeiro mapeamento abrangente de quase todo o genoma do tubarão-da-groenlândia começa a revelar algumas das pistas genéticas por trás de sua vida incrivelmente longa.

Fonte original citada e enquadrada editorialmente pelo Cosmos Week. Phys. org Biology
Assinatura editorialRedação do Cosmos Week
Publicado03 jun 2026 18h40
Atualizado2026-06-03
Tipo de coberturaJornalismo científico
Nível de evidênciaCobertura jornalística
Leitura4 min de leitura

Pontos-chave

  • Em foco: O primeiro mapeamento abrangente de quase todo o genoma do tubarão-da-groenlândia começa a revelar algumas das pistas genéticas por trás de sua vida
  • Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
  • Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
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O primeiro mapeamento abrangente de quase todo o genoma do tubarão-da-groenlândia (Somniosus microcephalus) está começando a desvendar os segredos genéticos por trás de sua notável longevidade. Este predador de crescimento lento, habitante das águas gélidas do Atlântico Norte, nas regiões da Groenlândia, Canadá e Islândia, é reconhecido como o vertebrado de vida mais longa na Terra, com uma expectativa de vida que pode se aproximar dos 400 anos. Sua biologia única, caracterizada por um desenvolvimento extremamente lento, o torna um objeto de estudo fascinante para a compreensão dos mecanismos de envelhecimento e longevidade em organismos complexos.

A taxa de crescimento do tubarão-da-groenlândia é notavelmente lenta, avançando a uma média de apenas um centímetro por ano. Essa característica contribui para sua longevidade excepcional, mas também implica um longo período para atingir a maturidade sexual, que ocorre por volta dos 150 anos de idade. Tal ritmo de vida, em contraste com a maioria das espécies, sugere adaptações fisiológicas e genéticas profundas que permitem ao animal resistir aos processos degenerativos associados ao envelhecimento por séculos.

Uma equipe internacional de cientistas, liderada por Shigeharu Kinoshita, da Universidade de Tóquio, realizou um esforço monumental para mapear o genoma desse tubarão. Eles conseguiram sequenciar com sucesso 96, 7% do genoma, que compreende aproximadamente 5, 9 bilhões de pares de bases de DNA. Este feito representa um avanço significativo, fornecendo uma base robusta para investigações futuras sobre as particularidades genéticas que conferem ao tubarão-da-groenlândia sua extraordinária capacidade de vida prolongada.

Entre as descobertas mais relevantes, os pesquisadores identificaram substituições de aminoácidos na proteína histona H1.0. As histonas são proteínas cruciais que se ligam ao DNA, auxiliando em sua organização em uma estrutura compacta e ordenada conhecida como cromatina. Alterações na histona H1.0 podem influenciar a estabilidade e a regulação da expressão gênica, processos que são fundamentais para a manutenção da integridade celular e a resistência ao estresse oxidativo, fatores frequentemente associados à longevidade.

Outro achado notável foi a identificação de uma expansão massiva do gene FTH1b, localizado no pseudocromossomo 33. Foram encontradas 59 cópias desse gene no genoma do tubarão-da-groenlândia, um número significativamente maior em comparação com outras espécies de tubarões e peixes relacionados, que geralmente apresentam um número de cópias muito menor. O gene FTH1b está associado à ferritina, uma proteína envolvida no armazenamento e desintoxicação do ferro, um elemento que, em excesso, pode gerar radicais livres e danos celulares. A maior quantidade de cópias desse gene pode conferir ao tubarão uma capacidade aprimorada de gerenciar o estresse oxidativo, contribuindo para sua longevidade.

A compreensão dos mecanismos genéticos que permitem ao tubarão-da-groenlândia viver por séculos naturalmente levanta questões sobre suas possíveis implicações para a saúde humana. A pesquisa sobre a longevidade em espécies extremas como esta pode oferecer insights valiosos sobre os processos de envelhecimento e as estratégias de reparo celular, potencialmente abrindo novas avenidas para o desenvolvimento de terapias contra doenças relacionadas à idade e para a promoção de uma vida mais longa e saudável em humanos. No entanto, é crucial ressaltar que a transposição direta de achados de uma espécie para outra requer cautela e investigações aprofundadas.