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Genética da orquídea-da-praia favorece tolerância a mudanças climáticas
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Genética da orquídea-da-praia favorece tolerância a mudanças climáticas

O sequenciamento completo do genoma da orquídea-da-praia revela sua história evolutiva e poderá servir como referência para avaliar a vulnerabilidade de outras plantas a condições.

Fonte original citada e enquadrada editorialmente pelo Cosmos Week. Pesquisa FAPESP Ciência
Assinatura editorialRedação do Cosmos Week
Publicado18 abr 2026 13h00
Atualizado2026-04-18
Tipo de coberturaJornalismo científico
Nível de evidênciaCobertura jornalística
Leitura4 min de leitura

Pontos-chave

  • Em foco: O sequenciamento completo do genoma da orquídea-da-praia revela sua história evolutiva e poderá servir como referência para avaliar a vulnerabilidade
  • Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
  • Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
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O sequenciamento completo do genoma da orquídea-da-praia (Epidendrum fulgens) revela a história evolutiva da espécie e poderá servir como referência para avaliar a vulnerabilidade de outras plantas a condições climáticas extremas. Essa orquídea, que se apresenta em touceiras de até 1 metro de altura com cachos de flores amarelas, laranja e vermelhas, prospera em restingas e dunas, ambientes caracterizados por sol intenso e areia seca e pobre em nutrientes.

A identificação desses genes foi possível após a conclusão da leitura completa do genoma da orquídea-da-praia, uma abordagem frequentemente empregada no melhoramento genético de plantas de interesse comercial, mas raramente aplicada em estudos de espécies nativas. Para contextualizar os achados, os pesquisadores utilizaram como referência os genomas do arroz (Oryza sativa) e da arabeta (Arabidopsis thaliana), esta última amplamente reconhecida como planta modelo em estudos de fisiologia vegetal.

De acordo com o biólogo Edlley Pessoa, da Universidade Federal do ABC (UFABC), que não esteve envolvido no estudo, este representa o primeiro sequenciamento completo de um genoma de planta silvestre da América do Sul. Pessoa destaca que a análise do genoma em sua totalidade permite a descoberta de genes desconhecidos e a identificação de suas funções, diferentemente da maioria dos estudos genéticos que se concentram apenas em genes de interesse específico. Ele exemplifica a relevância dessa profundidade, mencionando que a diferença genética entre seres humanos, por exemplo, é de aproximadamente 0, 1%.

Pessoa ressalta que o número de cópias nas famílias de genes de resistência pode ser de 10 a 15 vezes maior na orquídea-da-praia em comparação com outras quatro espécies de orquídeas estudadas, as quais habitam florestas tropicais. Essa abundância de genes de resistência sugere uma adaptação robusta da orquídea-da-praia a ambientes desafiadores.

Segundo o pesquisador Pinheiro, a orquídea-da-praia provavelmente surgiu há cerca de 10 milhões de anos, durante o Mioceno tardio (período compreendido entre aproximadamente 11 milhões e 5 milhões de anos atrás). Naquela época, o clima na atual América do Sul era mais seco, caracterizado por florestas menores e restingas mais extensas. Com a progressiva umidificação do clima, as florestas se expandiram, resultando no estreitamento das restingas. Pinheiro estima que, há cerca de 100 mil anos, a população da orquídea-da-praia se estabilizou, mas hoje resta apenas cerca de 2% da população original.