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Dos híbridos ao 'nascimento virginal', os bichos-pau revelam a perda gradual do sexo
BiologiaEdição em portuguêsJornalismo científicoCobertura jornalística

Dos híbridos ao 'nascimento virginal', os bichos-pau revelam a perda gradual do sexo

A evolução do sexo continua a ser um dos maiores enigmas da biologia. Embora a reprodução sexuada domine em todo o reino animal, os cientistas ainda debatem por que razão persiste.

Fonte original citada e enquadrada editorialmente pelo Cosmos Week. Phys. org Biology
Assinatura editorialRedação do Cosmos Week
Publicado01 jun 2026 19h45
Atualizado2026-06-01
Tipo de coberturaJornalismo científico
Nível de evidênciaCobertura jornalística
Leitura4 min de leitura

Pontos-chave

  • Em foco: A evolução do sexo continua a ser um dos maiores enigmas da biologia
  • Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
  • Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
Texto completo

A evolução da reprodução sexuada permanece um dos maiores enigmas da biologia. Embora este modo de reprodução domine em todo o reino animal, os cientistas ainda debatem por que razão ele persiste, apesar de seus elevados custos energéticos e biológicos. Em contraste, a partenogênese, também conhecida como 'nascimento virginal', é uma forma de reprodução assexuada comum entre os animais, na qual ambas as cópias genéticas são herdadas clonalmente da mãe pela prole, sem qualquer mistura ou outras alterações envolvidas. Visto que as transições evolutivas entre a reprodução sexuada e a partenogênese são raramente observadas na natureza, compreender como o sexo é perdido ao longo do tempo evolutivo representa um desafio significativo para a biologia.

Para investigar essa complexa questão, os pesquisadores recorreram aos bichos-pau, um dos mais extraordinários mestres do disfarce da natureza. Com o objetivo de desvendar sua história reprodutiva e as transições evolutivas, investigadores das Universidades de Lausanne, Lund e Rostock analisaram dados genômicos de mais de 500 espécimes selvagens de bichos-pau. Esses espécimes foram coletados ao longo de vários anos de trabalho de campo em diversas regiões, incluindo a Sicília, a Itália continental e a França. Os resultados detalhados dessa pesquisa foram posteriormente publicados no prestigiado periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.

A análise genômica revelou que a história reprodutiva desses insetos teve um ponto de partida crucial: um evento inicial de hibridização que ocorreu há aproximadamente 8.000 anos, logo após o término da última era glacial. Esse evento de cruzamento entre diferentes espécies ou linhagens parece ter sido fundamental para as subsequentes mudanças reprodutivas observadas. Guillaume Lavanchy, coautor do estudo e pesquisador da Universidade de Lund, na Suécia, destacou a singularidade do sistema estudado. Ele afirmou que 'o que torna este sistema tão fascinante é que fomos capazes de reconstruir em laboratório cada transição que inferimos a partir das histórias evolutivas dos bichos-pau selvagens', sublinhando a capacidade de validação experimental das inferências evolutivas.

Contrariando a visão tradicional de que a reprodução assexuada é um beco sem saída evolutivo, os novos resultados obtidos por esta equipe de pesquisa sugerem uma perspectiva diferente. Eles indicam que a hibridização e a subsequente perda da reprodução sexuada podem, na verdade, criar oportunidades para uma maior inovação evolutiva. Essa capacidade de inovação pode, por sua vez, auxiliar as linhagens assexuadas a persistirem e prosperarem, mesmo diante das potenciais desvantagens associadas à ausência de recombinação genética e variabilidade que a reprodução sexuada proporciona.

Este estudo com os bichos-pau oferece uma visão rara e detalhada sobre os mecanismos e as consequências da transição da reprodução sexuada para a assexuada. Ao demonstrar como a hibridização pode catalisar a perda do sexo e, paradoxalmente, impulsionar a inovação, a pesquisa contribui significativamente para a compreensão de um dos maiores paradoxos da biologia evolutiva. Os achados abrem novas avenidas para investigações futuras sobre a dinâmica evolutiva da reprodução e a resiliência das espécies em face de mudanças em seus modos reprodutivos.