Evidência de Aceleração de Raios Cósmicos em um Remanescente de Supernova Próximo
Os raios cósmicos observados na Terra exibem uma vasta gama de energias de partículas, variando de 10^7 elétron-volts a mais de 10^20 elétron-volts, com estudos recentes focando.
Pontos-chave
- Em foco: Os raios cósmicos observados na Terra exibem uma vasta gama de energias de partículas, variando de 10^7 elétron-volts a mais de 10^20 elétron-volts
- Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
- Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
Os raios cósmicos que chegam à Terra apresentam uma ampla gama de energias de partículas, que variam de 10^7 elétron-volts (eV) a mais de 10^20 eV. Para contextualizar, a energia máxima é quase equivalente à energia cinética de uma bola de futebol de 450 gramas chutada a aproximadamente 8 metros por segundo. Um gráfico das energias dos raios cósmicos da Via Láctea frequentemente revela o que os cientistas denominam de "estrutura", caracterizada por desvios notáveis da tendência subjacente, conhecidos como "joelhos" e "tornozelos". Essas particularidades indicam a ocorrência de novos processos ou métodos de produção de raios cósmicos, sugerindo complexidades na sua origem e propagação através do espaço interestelar.
Recentemente, utilizando um observatório terrestre, foram detectadas emissões de raios gama de alta energia provenientes do remanescente da supernova IC 443. Este objeto celeste, localizado a 5.000 anos-luz da Terra na constelação de Gêmeos, é o vestígio de uma estrela que explodiu há cerca de 30.000 anos. Os raios gama são fótons de energia extremamente elevada e, por não possuírem carga elétrica, viajam diretamente da nuvem da supernova até a Terra, sem serem desviados pelos campos magnéticos galácticos. Essa característica os torna ferramentas valiosas para rastrear a origem dos raios cósmicos.
A Colaboração LHAASO (Large High Altitude Air Shower Observatory) concentrou seus esforços em visualizar os remanescentes do IC 443 por meio desses raios gama. O objetivo principal era determinar qual dos dois mecanismos possíveis estaria envolvido na origem e propagação dos raios cósmicos associados ao IC 443. Uma das hipóteses é a aceleração direta de partículas, como prótons e elétrons, no choque da supernova. A outra hipótese, que é o foco da investigação, envolve a interação dessas partículas aceleradas com o ambiente circundante.
Especificamente, um dos métodos propostos sugere que prótons acelerados poderiam colidir com partículas presentes na densa nuvem molecular que circunda o IC 443. Essas colisões energéticas teriam como resultado a criação de píons eletricamente neutros. Os píons neutros, por sua vez, decaem rapidamente, gerando raios gama e outras partículas secundárias. A detecção desses raios gama de alta energia serve como uma assinatura crucial para identificar a ocorrência desses processos hadrônicos e, consequentemente, a aceleração de raios cósmicos de alta energia.
A capacidade de rastrear a origem dos raios cósmicos de alta energia é fundamental para a astrofísica. Compreender os mecanismos de aceleração em remanescentes de supernovas como o IC 443 ajuda a desvendar um dos maiores mistérios do universo: de onde vêm as partículas mais energéticas que bombardeiam a Terra. As observações da Colaboração LHAASO fornecem evidências importantes que apoiam a teoria de que os remanescentes de supernovas são, de fato, aceleradores de raios cósmicos, contribuindo significativamente para o espectro de energia observado em nosso planeta.

Fonte original: Phys. org Space