Drones que escaneiam as geleiras da Terra estão abrindo caminho para futuros helicópteros em Marte
Marte possui diversas geleiras em suas latitudes médias, um fato conhecido há anos graças à sonda SHARAD da Mars Reconnaissance Orbiter.
Pontos-chave
- Em foco: Marte possui diversas geleiras em suas latitudes médias, um fato conhecido há anos graças à sonda SHARAD da Mars Reconnaissance Orbiter
- Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
- Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
A recente e bem-sucedida operação do Ingenuity, o helicóptero que realizou o primeiro voo motorizado em outro planeta, gerou um grande entusiasmo pela aplicação de sistemas semelhantes a drones na exploração de Marte. Tais veículos aéreos oferecem a capacidade de acessar regiões do planeta que seriam inacessíveis para rovers, abrindo novas perspectivas para investigações científicas detalhadas, incluindo o mapeamento de estruturas subsuperficiais como as geleiras marcianas.
Para testar a viabilidade dessa abordagem, pesquisadores empregaram um drone DJI Matrice 600 Pro, equipado com um módulo de radar de penetração no solo (GPR) MALA Geodrone de 80 MHz, em geleiras terrestres. Os dados coletados pelo drone foram primeiramente validados contra simulações 3D de desordem. Posteriormente, os resultados obtidos com o sistema aéreo foram comparados com aqueles de instrumentos GPR baseados em superfície, que já haviam sido utilizados para coletar dados sobre essas mesmas geleiras no Wyoming.
No estudo realizado no Wyoming, o drone conseguiu medir a espessura da geleira em 48, 6 metros, enquanto a espessura da camada de detritos sobre o gelo variou entre 0, 8 e 1, 3 metros em algumas zonas específicas. Esses resultados iniciais demonstram a capacidade do sistema de radar embarcado em drones para fornecer informações cruciais sobre a estrutura interna de geleiras cobertas por detritos, validando o conceito para aplicações futuras em ambientes extraterrestres.
Contudo, o GPR de 80 MHz utilizado no drone apresentou algumas limitações. Ele demonstrou certa dificuldade em detectar as camadas mais rasas de detritos, bem como algumas das camadas rochosas mais profundas. Essa limitação foi particularmente notável quando comparado a um sistema GPR baseado em superfície de 50 MHz, que se mostrou mais eficaz na penetração e detecção de estruturas mais profundas. A frequência mais alta do GPR do drone pode ter contribuído para essa menor capacidade de penetração em comparação com o sistema de superfície de frequência mais baixa.
Apesar das fraquezas observadas na detecção de certas camadas, a pesquisa sublinha o potencial significativo dos drones para a exploração geofísica. A capacidade de cobrir grandes áreas rapidamente e acessar terrenos complexos faz deles ferramentas valiosas para futuras missões marcianas. O aprimoramento da tecnologia GPR para drones, com frequências otimizadas e maior poder de penetração, poderá revolucionar a forma como estudamos as geleiras de Marte, fornecendo dados essenciais para a compreensão da história hídrica do planeta e a identificação de recursos para futuras explorações.
Fonte original: Universe Today