De volta para o futuro
Criado para repatriar a flora coletada por naturalistas europeus entre os séculos 18 e 20, o projeto Reflora completa 16 anos com quase 5 milhões de imagens produzidas e servindo.
Pontos-chave
- Em foco: Criado para repatriar a flora coletada por naturalistas europeus entre os séculos 18 e 20, o projeto Reflora completa 16 anos com quase 5 milhões de
- Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
- Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
Nos primeiros meses de 1832, um jovem inglês de 23 anos percorria os arredores de Salvador, na Bahia, com uma prensa de madeira e uma pilha de papel sob o braço. Quem foi Zarafa A primeira girafa a pisar na França foi oferecida pelo vice-rei do Egito, Muhammad Ali (não confundir com o boxeador), ao rei Charles 10º.
Entre as plantas que prensou, secou e etiquetou naquelas semanas baianas não havia nada de espetacular: o exemplar nº 158 de sua coleta era uma ervinha de beira de caminho e de flores brancas, dessas que crescem em qualquer chão. Quase dois séculos depois, o registro ainda guarda a caligrafia do coletor: Charles Darwin (1809-1882), que passou pelo Brasil durante sua histórica viagem a bordo do HMS Beagle.
William morreu em 1865 e sua coleção pessoal foi comprada pelo governo britânico no ano seguinte. Em 1867, a ficha da ervinha coletada por Darwin foi marcada com as palavras “Herbarium Hookerianum”.
Ao ouvir dos anfitriões que a coleção britânica guardava algo como 300 mil amostras de plantas brasileiras, ele não hesitou. Em março, o jardim botânico britânico concluiu o maior projeto científico de sua história: a digitalização de 7, 4 milhões de espécimes de plantas e fungos, num esforço de quatro anos.
Na direção executiva de ciência de Kew desde 2019, o biólogo Alexandre Antonelli, primeiro brasileiro no cargo, aponta para a semente da ideia. O Reflora foi o primeiro projeto mundial de repatriação digital de coleções brasileiras depositadas no exterior e foi uma inspiração para nós”, declarou à Agência FAPESP em junho de 2026.
Três dias depois da visita a Kew, em 9 de outubro de 2009, Zago assinou um segundo acordo, dessa vez, em Paris, e a cena rendeu uma coincidência que ele faz questão de recordar.
Fonte original: Pesquisa FAPESP Online