Da genômica à linguística, a África transfigurada
Pesquisas multidisciplinares enxergam o continente e suas relações com o Brasil para além dos estereótipos
Pontos-chave
- Em foco: Pesquisas multidisciplinares enxergam o continente e suas relações com o Brasil para além dos estereótipos
- Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
- Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
Pesquisas multidisciplinares enxergam o continente e suas relações com o Brasil para além dos estereótipos. Uma dessas pessoas foi Nilma Lino Gomes, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que desempenhou um papel de articulação entre a produção acadêmica e as demandas do movimento negro.
Em 2012, em artigo na revista Currículo sem Fronteiras, ela afirmou: “A aprovação da lei aponta para um passo importante na construção de uma ruptura epistemológica e cultural, para uma (re) construção histórica alternativa e emancipatória”. Uma análise do número de dissertações e teses no portal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) mostra um crescimento linear e constante na primeira década após a promulgação da lei.
Em 2003, registram-se 68 trabalhos. O número mais do que dobra em cinco anos, chegando a 162 em 2008, e, a partir de 2019, passa de 400 em diversos casos.
O crescimento nos projetos de pesquisa sobre a África financiados pela FAPESP foi mais lento, mas o volume de concessões em 2026 é três vezes maior do que o de pesquisas iniciadas em 2003. O foco temporal era majoritariamente o chamado período Atlântico (a fase inicial de contato com os europeus), motivado pelo interesse em compreender o comércio de escravizados e as conexões históricas com o Brasil.
Há pesquisadores brasileiros que analisam uma ampla diversidade de temas contemporâneos, incluindo o islamismo nos séculos 19 e 20, as guerras de independência, o apartheid na África do Sul e o genocídio de Ruanda”, afirma Souza. O resultado desse esforço é uma árvore linguística, que ajuda a compreender os significados das palavras ao longo do tempo, de maneira a construir uma narrativa sobre o continente africano pré-colonial”, explica o pesquisador.
Almeida tem analisado como os povos falantes de línguas da família linguística bantu (uma das mais importantes do continente, correspondente a cerca de 600 idiomas e falada por mais ou menos um terço dos africanos) conceberam e enfrentaram crises decorrentes da chamada anomalia.
Fonte original: Pesquisa FAPESP Ciência