Como mapear a opinião de elites se elas não respondem a pesquisas?
Cientistas desenvolvem estratégias para chegar a grupos pouco acessíveis e reduzir os efeitos da não resposta em estudos sobre elites políticas e sociais
Pontos-chave
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- Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
- Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
Cientistas desenvolvem estratégias para chegar a grupos pouco acessíveis e reduzir os efeitos da não resposta em estudos sobre elites políticas e sociais. Por causa disso, informações relevantes para a sociedade que não aparecem nos registros públicos de instituições como a Câmara e o Senado permanecem nas entrelinhas das relações entre grupos dominantes que concentram prestígio e poder.
No caso de políticos profissionais, acrescenta Codato, o acesso costuma ser controlado por chefes de gabinete e assessores que avaliam os pedidos de acordo com conveniência, interesse e prestígio da instituição solicitante. A contratação de uma empresa especializada profissionalizou a abordagem e tornou possível alcançar os 170 entrevistados.
Entre os deputados que responderam a essas questões específicas, a proporção dos que atribuíram importância máxima à liberdade de oposição foi 10, 2 pontos percentuais maior do que entre os cidadãos ouvidos. Em relação às eleições livres e justas, a diferença foi de 7, 9 pontos.
A parcela da população que deu nota máxima à possibilidade de os tribunais impedirem ações ilegais do governo superou a dos parlamentares em 12, 5 pontos percentuais. A maior distância apareceu em relação à ideia de que os eleitores devem punir governos que atuam contra seus interesses, com 32, 2 pontos percentuais a mais entre os cidadãos.
Durante o doutorado, em 2014, Gobo aplicou um questionário respondido por 218 diplomatas e realizou entrevistas em profundidade. Em um estudo mais recente, “Perfil sociográfico e estudo de carreira da diplomacia brasileira”, de 2022, encomendado pela Associação e Sindicato dos Diplomatas Brasileiros (ADB), a adesão mais do que dobrou.
O levantamento por questionário reuniu 597 diplomatas da ativa, além de 101 aposentados e 713 aspirantes à carreira.
Fonte original: Pesquisa FAPESP Online