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Mudanças Climáticas Estimulam Ganho de Peso em Macacos-Coruja
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Mudanças Climáticas Estimulam Ganho de Peso em Macacos-Coruja

Os macacos-coruja-de-azara, uma pequena espécie de primata encontrada na América do Sul, estão hoje mais pesados do que há um quarto de século, com evidências sugerindo uma.

Fonte original citada e enquadrada editorialmente pelo Cosmos Week. Phys. org Biology
Assinatura editorialRedação do Cosmos Week
Publicado20 mai 2026 18h03
Atualizado2026-05-20
Tipo de coberturaJornalismo científico
Nível de evidênciaCobertura jornalística
Leitura4 min de leitura

Pontos-chave

  • Em foco: Os macacos-coruja-de-azara, uma pequena espécie de primata encontrada na América do Sul, estão hoje mais pesados do que há um quarto de século, com
  • Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
  • Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
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O estudo, pioneiro na associação entre mudanças climáticas e alterações de peso em primatas vivos, fundamentou-se em 287 medições de peso de 180 macacos-coruja, coletadas entre 1999 e 2023 em Formosa, Argentina. Os pesquisadores constataram que, em 2023, os macacos estavam aproximadamente 50 gramas (1, 8 onças) mais pesados do que em 1999. Esse aumento representa cerca de 4% do peso médio adulto da espécie, que é de 1.300 gramas (2, 87 libras). O ganho de peso observado coincidiu com um período em que as temperaturas médias diárias na região registraram um aumento superior a 1 grau Celsius.

Jonathan Pertile, Ph. D. e autor principal do estudo, destacou a surpresa dos resultados: "Descobrimos que os macacos-coruja hoje pesam mais, e não menos, do que em 1999, embora as temperaturas médias tenham aumentado desde então". Essas novas descobertas são baseadas em um extenso conjunto de dados, compilado pelo Projeto Macaco Coruja ao longo de 24 anos. Os dados foram coletados de 180 macacos-coruja em um local de campo situado em uma fazenda de gado privada na mesma região de Formosa, Argentina. A análise revelou que as temperaturas médias diárias na área de estudo subiram de 22, 2 graus Celsius em 1999 para 23, 8 graus Celsius em 2023, conforme detalhado no estudo.

Além das medições de peso, os pesquisadores também registraram o comprimento corporal dos animais, medindo desde o topo do crânio até a base da cauda. A medição repetida de alguns indivíduos ao longo dos anos permitiu uma análise longitudinal das mudanças de peso e tamanho. Essa abordagem metodológica robusta fortalece a validade das conclusões sobre a relação entre as condições ambientais e as características físicas dos primatas.

A relevância deste estudo reside em ser o primeiro a estabelecer uma conexão direta entre as alterações climáticas e as variações de peso em uma população de primatas vivos. Tradicionalmente, estudos sobre o impacto do clima em espécies animais focam em aspectos como distribuição geográfica, reprodução ou sobrevivência. A descoberta de um aumento de peso em resposta a temperaturas mais elevadas sugere uma resposta plástica complexa por parte dos macacos-coruja, que pode envolver mudanças metabólicas ou comportamentais para se adaptar a um ambiente em transformação. Compreender esses mecanismos é crucial para prever como outras espécies de primatas e mamíferos podem ser afetadas pelas contínuas mudanças ambientais.

Os resultados levantam questões importantes sobre as estratégias de adaptação das espécies frente às pressões ambientais. Embora o ganho de peso possa, em alguns contextos, ser visto como uma vantagem adaptativa, é fundamental investigar se essa alteração tem implicações a longo prazo para a saúde, a reprodução e a dinâmica populacional dos macacos-coruja-de-azara. Estudos futuros poderiam explorar os fatores dietéticos, energéticos e genéticos que contribuem para essa resposta plástica, oferecendo uma visão mais completa dos desafios e das capacidades de resiliência da vida selvagem em um planeta em aquecimento.

Este estudo foi publicado sob o título 'Aumentos rápidos de peso em uma população de primatas: evidência de uma resposta plástica às mudanças climáticas' por Jonathan Alexander Pertile e colaboradores. A pesquisa foi divulgada na revista científica *Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences* (2026), um periódico de destaque no campo das ciências biológicas. A publicação em uma revista revisada por pares garante a validade e a credibilidade dos métodos e das conclusões apresentadas, contribuindo significativamente para o corpo de conhecimento sobre os impactos das mudanças climáticas na fauna.