Cannabis e saúde mental: promessas e lacunas nas evidências
Maior revisão já feita sobre o tema vê sinais promissores, mas pede estudos mais amplos e rigorosos
Pontos-chave
- Em foco: Maior revisão já feita sobre o tema vê sinais promissores, mas pede estudos mais amplos e rigorosos
- Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
- Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
Maior revisão já feita sobre o tema vê sinais promissores, mas pede estudos mais amplos e rigorosos. A história ganhou projeção internacional em 2013, quando foi apresentada no documentário Weed, da CNN Limites da revisão e expansão do mercado Nem todos os pesquisadores, porém, interpretam a revisão da The Lancet Psychiatry da mesma forma.
As conclusões são da maior revisão sistemática de estudos clínicos randomizados já feita sobre o tema, conduzida por pesquisadores das universidades de Sydney, Queensland e Melbourne, na Austrália, e Bath, no Reino Unido. OMS Mais de 1 bi de pessoas vivem hoje no mundo com problemas de saúde mental Segundo o artigo, não foram observadas comprovações significativas da eficácia do uso medicinal de canabinoides contra ansiedade, anorexia nervosa, transtornos psicóticos, transtorno de estresse.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas vivem com problemas de saúde mental. O mesmo grupo australiano publicou uma metanálise semelhante em 2019, na própria The Lancet Psychiatry, com conclusões semelhantes: sete anos e dezenas de ensaios depois, o que cresceu foi o volume da base de evidências, não a sua qualidade”, diz.
O pesquisador liderou recentemente um ensaio clínico randomizado com canabidiol em pacientes com Covid-19, financiado pela FAPESP. No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) autoriza, desde 2022, o uso medicinal do óleo de canabidiol apenas contra formas graves de epilepsia refratária na infância e na adolescência e em pacientes com síndromes como Dravet.
Precisamos de mais pesquisas em humanos, de fases 2, 3 e 4”, afirma. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e um estudo de seu grupo, publicado em 2025 no International Journal of Drug Policy, “apontam que transtornos mentais estão entre as principais razões para o uso medicinal de cannabis, embora sejam justamente algumas.
O levantamento, com 1.335 pacientes ou cuidadores, identificou cinco perfis de usuários, sinal de que não existe um único perfil de paciente e de que é preciso formular perguntas clínicas mais específicas, em vez de misturar pacientes, produtos e indicações.
Fonte original: Pesquisa FAPESP Ciência