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AtLAST: Um Telescópio para Revelar a Metade Oculta do Universo
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AtLAST: Um Telescópio para Revelar a Metade Oculta do Universo

Um novo telescópio liderado pela Europa, o AtLAST, poderá mapear a porção empoeirada e oculta do universo, operando de forma sustentável e sem o uso de combustíveis fósseis.

Fonte original citada e enquadrada editorialmente pelo Cosmos Week. Phys. org Space
Assinatura editorialRedação do Cosmos Week
Publicado19 mai 2026 17h40
Atualizado2026-05-19
Tipo de coberturaJornalismo científico
Nível de evidênciaCobertura jornalística
Leitura4 min de leitura

Pontos-chave

  • Em foco: Um novo telescópio liderado pela Europa, o AtLAST, poderá mapear a porção empoeirada e oculta do universo, operando de forma sustentável e sem o uso
  • Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
  • Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
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A Via Láctea, quando observada no céu noturno, frequentemente apresenta uma aparência nebulosa, revelando a presença de vastas quantidades de poeira cósmica que obscurecem parte do universo. Para desvendar essa "metade perdida" e empoeirada, astrônomos europeus estão liderando o desenvolvimento do Atacama Large Aperture Submillimeter Telescope (AtLAST). Este projeto ambicioso propõe a construção de um telescópio de 50 metros, significativamente maior do que qualquer outro telescópio submilimétrico já edificado. O AtLAST não apenas promete revolucionar nossa compreensão do cosmos, mas também se destaca pelo compromisso de operar sem o uso de combustíveis fósseis, buscando a máxima sustentabilidade.

Tony Mroczkowski, astrônomo do Instituto de Ciências Espaciais na Espanha e um dos líderes do projeto AtLAST, destaca a capacidade limitada de observação de telescópios atuais. Ele explica que o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), por exemplo, consegue visualizar uma área no céu milhares de vezes menor que a superfície da Lua em cada observação. Em contraste, o AtLAST foi projetado para capturar imagens de uma área equivalente a até 16 luas cheias em uma única observação. Essa vasta capacidade de campo de visão permitirá aos cientistas criar rapidamente um mapa detalhado e abrangente do universo, revelando estruturas e fenômenos que permanecem ocultos para os instrumentos atuais.

Atualmente, pesquisadores da Europa e de diversas partes do mundo, incluindo Chile, África do Sul, Canadá, Taiwan, Tailândia, Nova Zelândia, Japão e Estados Unidos, estão empenhados em refinar o conceito do AtLAST. Esta fase de design envolve a criação de protótipos de tecnologias-chave, abrangendo desde a óptica e os sistemas de controle até as soluções para o tratamento de dados. A equipe também está dedicando esforços significativos ao planejamento da gestão das futuras instalações, visando a máxima sustentabilidade operacional.

A estrutura do AtLAST é impressionante em sua escala e engenharia. Sua antena principal de 50 metros será composta por painéis de alumínio no espelho e sustentada por uma robusta estrutura de aço. O peso total estimado do telescópio é de aproximadamente 4.400 toneladas. Além disso, ele incorporará um espelho secundário de 12 metros, que, por si só, é maior do que a maioria dos telescópios existentes. Este espelho secundário é crucial para garantir o amplo campo de visão que distingue o AtLAST.

A localização escolhida para o AtLAST é estratégica: o deserto do Atacama, no Chile, próximo ao observatório ALMA. Esta região, situada a mais de 5 quilômetros acima do nível do mar, oferece condições atmosféricas ideais para a astronomia submilimétrica. A atmosfera fina e extremamente seca do Atacama minimiza a absorção de ondas submilimétricas pela umidade, permitindo uma visão excepcionalmente clara e desobstruída do universo. Essa característica é fundamental para que o AtLAST possa cumprir sua missão de mapear as regiões mais empoeiradas e distantes do cosmos.