Astrônomos descobrem o primeiro quasar tremeluzente conhecido
Astrônomos detectaram o primeiro quasar conhecido a apresentar oscilações, localizado no universo primordial.
Pontos-chave
- Em foco: Astrônomos detectaram o primeiro quasar conhecido a apresentar oscilações, localizado no universo primordial
- Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
- Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
Buracos negros supermassivos residem no centro de todas as galáxias, incluindo a nossa Via Láctea. Quando esses objetos cósmicos estão ativos, eles atraem material circundante, como gás e poeira, formando um redemoinho incandescente que emite intensa radiação. Essa fase ativa é conhecida como quasar, um dos fenômenos mais luminosos do universo.
Recentemente, uma equipe de astrônomos do MIT e de outras instituições fez uma descoberta inédita: a detecção de um quasar que apresenta oscilações no universo primordial. Os pesquisadores conseguiram rastrear a luz desse quasar até o que é conhecido como o 'amanhecer cósmico', um período que ocorreu apenas 850 milhões de anos após o Big Bang. Gene Leung, pesquisador de pós-doutorado no Instituto Kavli de Astrofísica e Pesquisa Espacial do MIT, enfatiza a singularidade do achado: "Embora muitos quasares já tenham sido identificados na alvorada cósmica, esta é a primeira vez que observamos um deles a piscar". Os resultados dessa pesquisa foram detalhados em um artigo publicado na renomada revista Nature Astronomy, assinado por Eilers, Leung e seus colaboradores.
A observação de um quasar oscilante é particularmente valiosa, pois a maneira como ele 'pisca' ou varia em brilho pode fornecer informações cruciais sobre a estrutura do disco de acreção que envolve o buraco negro. Essa variação também revela detalhes sobre o processo de alimentação do buraco negro, indicando como ele consome o material circundante e a dinâmica desse consumo. Compreender essas 'mordidas' cósmicas é fundamental para desvendar os mecanismos de crescimento dos buracos negros supermassivos.
Desde o início dos anos 2000, observações astronômicas têm revelado uma abundância surpreendente de buracos negros supermassivos nos primeiros bilhões de anos do Universo, desafiando concepções anteriores sobre sua formação. Mais de 200 desses objetos foram identificados, e sua detecção foi possível devido à sua fase de quasar extremamente ativa. Durante essa fase, eles emitem explosões colossais de radiação, tão intensas que podem ser observadas da Terra, mesmo a distâncias de até 13 bilhões de anos-luz.
A detecção de um quasar oscilante tão distante, originário do amanhecer cósmico, exigiu uma abordagem observacional meticulosa. A equipe de pesquisa precisou focar em comprimentos de onda mais longos, especificamente na faixa do espectro infravermelho, para penetrar a poeira e o gás intergaláctico. Além disso, as observações foram realizadas ao longo de extensas escalas de tempo, abrangendo muitos anos, o que permitiu capturar as variações sutis no brilho do quasar e confirmar seu comportamento oscilante.
A descoberta deste quasar oscilante no universo primordial representa um avanço significativo na astrofísica. Ela não apenas confirma a existência de buracos negros supermassivos ativos em fases muito iniciais da história cósmica, mas também oferece uma ferramenta única para estudar a dinâmica de seus discos de acreção. Tais observações são cruciais para refinar nossos modelos sobre a coevolução de buracos negros e galáxias, fornecendo insights valiosos sobre como as estruturas cósmicas se formaram e evoluíram desde o Big Bang.
Fonte original: Phys. org Space