Tecnologia brasileira é selecionada para monitorar a saúde de astronautas na missão lunar Artemis II
A tecnologia brasileira foi selecionada para a missão Artemis II, a primeira viagem tripulada ao redor da Lua em mais de meio século, com o objetivo de monitorar a saúde dos.
Pontos-chave
- Em foco: A tecnologia brasileira foi selecionada para a missão Artemis II, a primeira viagem tripulada ao redor da Lua em mais de meio século, com o objetivo
- Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
- Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
A missão Artemis II, um marco na exploração espacial, representa a primeira viagem tripulada ao redor da Lua em mais de meio século. Embora seu lançamento esteja planejado para o futuro próximo, a preparação para essa jornada histórica já integra um componente significativo da tecnologia brasileira. Um dispositivo inovador, desenvolvido no Brasil, foi selecionado para monitorar a saúde dos astronautas a bordo da espaçonave Orion, marcando a estreia de uma contribuição tecnológica nacional em uma missão lunar tripulada de tal envergadura. Este envolvimento sublinha a crescente participação do Brasil em iniciativas globais de exploração espacial, alinhando-se com os objetivos de validação de tecnologias e procedimentos para futuras etapas do programa Artemis.
A Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) planejou a Artemis II como um voo de teste tripulado no espaço lunar. Seus principais objetivos incluem a validação de tecnologias, operações e procedimentos que serão cruciais para as próximas fases do programa, que visam o pouso de astronautas na superfície lunar e, posteriormente, a exploração de longo prazo. A missão contará com uma tripulação composta por três astronautas da Nasa e um da Agência Espacial Canadense. Historicamente, a exploração lunar tem visto avanços notáveis, como o recorde de distância percorrida no espaço estabelecido pela missão Apollo 13 em 1970. Mais recentemente, a China realizou feitos importantes, sendo a primeira a pousar um veículo de exploração no lado oculto da Lua em 2019 e a recolher amostras dessa região em 2024, demonstrando a complexidade e o dinamismo da exploração espacial contemporânea.
A tecnologia brasileira em questão é um dispositivo desenvolvido pela empresa Condor, fundada em 2013 com o apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) da FAPESP. A Condor, que inicialmente desenvolveu um protótipo, foi procurada pela Nasa em 2023. A agência espacial havia lançado uma chamada para selecionar tecnologias capazes de monitorar o ritmo circadiano dos astronautas da missão Artemis II. O dispositivo da Condor atendeu aos rigorosos requisitos da Nasa, garantindo sua inclusão em uma das missões mais aguardadas da exploração espacial. Este reconhecimento internacional destaca a capacidade de inovação e o potencial tecnológico do Brasil no setor aeroespacial.
O “relógio” brasileiro, como é informalmente conhecido, é um equipamento sofisticado projetado para monitorar o ritmo circadiano dos astronautas, um aspecto vital para a manutenção da saúde e desempenho em ambientes de microgravidade e ciclos de luz alterados. A capacidade de acompanhar e gerenciar o relógio biológico dos tripulantes é fundamental para mitigar os efeitos negativos da privação de sono e do estresse fisiológico durante missões de longa duração. No mercado externo, o dispositivo é comercializado por aproximadamente US$ 700, o equivalente a cerca de R$ 3, 5 mil, concentrando a maior parte da clientela da empresa. No Brasil, o preço de venda é de aproximadamente R$ 3 mil, tornando-o acessível para aplicações específicas e pesquisas.
A participação do Brasil na missão Artemis II é um reflexo de seu compromisso mais amplo com a exploração espacial. Desde 2021, o país é signatário dos Acordos Artemis, um conjunto de princípios que orientam a cooperação internacional na exploração civil da Lua, Marte, cometas e asteroides. Essa adesão posiciona o Brasil como um parceiro estratégico em iniciativas globais, fomentando a colaboração científica e tecnológica. Além disso, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) coordena a Rede Space Farming Brazil, que reúne 24 instituições e cerca de 60 pesquisadores dedicados ao desenvolvimento de cultivos para pesquisas em agricultura espacial. Essa rede exemplifica o esforço nacional em diversas frentes da ciência e tecnologia espacial, preparando o terreno para futuras contribuições em ambientes extraterrestres.
Fonte original: Pesquisa FAPESP Ciência