Ameaça de um ‘super El Niño’ desafia cidades brasileiras a se preparar para eventos extremos
A chegada do fenômeno e sua intensificação pelo aquecimento do planeta poderão produzir secas e chuvas intensas em diversas regiões do país.
Pontos-chave
- Em foco: A chegada do fenômeno e sua intensificação pelo aquecimento do planeta poderão produzir secas e chuvas intensas em diversas regiões do país
- Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
- Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
A chegada do fenômeno e sua intensificação pelo aquecimento do planeta poderão produzir secas e chuvas intensas em diversas regiões do país. O primeiro alerta veio no início de junho, quando a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa, sigla em inglês) anunciou que um El Niño havia se formado.
Isso acontece quando a temperatura da água na faixa equatorial do oceano Pacífico permanece pelo menos 0, 5 °C acima da média por vários meses consecutivos, acompanhada de mudanças no padrão de circulação dos ventos alísios, que normalmente empurram essa água quente na direção. Em julho, a anomalia térmica já havia ultrapassado 2 °C em grande parte da região leste do Pacífico, que banha a América do Sul.
Em 13 de agosto, a Noaa anunciou que havia 90% de probabilidade de esse El Niño se tornar “muito forte”, com um aumento persistente acima de 2 °C na temperatura média da água nessa região, e 69% de probabilidade de ele se tornar o El Niño mais forte já registrado desde 1950. Amanda Perobelli/Reuters Uma placa de “pare” e o topo de uma casa emergem da água em Canoas, em 5 de maio de 2024.
As duas imagens integram a série “Brazil’s Worst-Ever Floods”, premiada no World Press Photo 2025. Os eventos El Niño mais fortes já documentados pela ciência ocorreram em 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016.
A Noaa estima 90% de chance de o El Niño de 2026 se tornar “muito forte” e 69% de chance de ser o mais intenso já registrado desde 1950 As consequências são sentidas em todo o mundo, com variações bruscas nos padrões meteorológicos e aumento na ocorrência de eventos extremos. Em 1983, por exemplo, a cidade de Blumenau (SC) permaneceu por cerca de um mês debaixo d’água e mais de 200 mil pessoas ficaram desabrigadas no estado.
Em maio de 2024 (também um ano de El Niño intenso), quatro décadas depois, agora com a temperatura média do planeta ainda mais quente, o Rio Grande do Sul sofreu uma inundação de proporções avassaladoras, com mais de 5, 5 milhões de pessoas afetadas, particularmente em Porto.

Fonte original: Pesquisa FAPESP Ciência