A ciência ao redor dos ossos
Exposição leva ao público os bastidores de uma pesquisa sobre como peritos constroem conhecimento a partir de remanescentes de vítimas da ditadura militar
Pontos-chave
- Em foco: Exposição leva ao público os bastidores de uma pesquisa sobre como peritos constroem conhecimento a partir de remanescentes de vítimas da ditadura
- Detalhe: Cobertura jornalística: verificar documentação técnica primária
- Leitura editorial: reportagem científica; quando possível, confira a fonte primária citada.
Exposição leva ao público os bastidores de uma pesquisa sobre como peritos constroem conhecimento a partir de remanescentes de vítimas da ditadura militar. 14 de agosto de 2026, às 18h Período em cartaz: 14 de agosto a 27 de setembro de 2026 Horário de visitação: terça a domingo, das 10h às 18h Local: Centro Maria Antonia da USP, Rua Maria Antônia.
Profissionais que trabalham ali investigam remanescentes ósseos de diferentes partes do país que podem pertencer a vítimas da ditadura e têm como missão identificar os corpos e tentar descobrir o que aconteceu com eles. A mostra “Fazer falar os ossos: engajamentos presentes com o passado” fica em cartaz entre os dias 14 de agosto e 27 de setembro no Centro Maria Antonia da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista.
Divulgação / CAAF-Unifesp Remanescentes ósseos que podem pertencer a vítimas da ditadura militar no Brasil são analisados no Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Unifesp, na capital paulista Divulgação / CAAF-Unifesp Da conversa em 2017, surgiu a vontade de entender. Cada milímetro de osso encontrado e cada variação patológica descrita pode ser crucial para recompor a biografia das vítimas, assim como cada detalhe, gesto, comentário e olhar durante a investigação nas longas horas de trabalho.
Olhar para o que acontece no entorno da mesa, nos diálogos, na observação particular do material que vai permitir chegar a algum resultado, alguma conclusão sobre quem é aquela pessoa e o que aconteceu com ela”, explica Mondada. É um saber que se constitui de maneira complexa. ” A análise, publicada em artigo na revista Research on Language and Social Interaction em novembro de 2024, aponta como uma pergunta simples como “o que você acha?” organiza boa parte do trabalho de identificação dos peritos.
Para as pesquisadoras, esse tipo de evidência ajuda a questionar tanto o estereótipo da ciência como produto de um “gênio” que trabalha sozinho quanto a ideia de que a objetividade da ciência prescinde das interações entre os pesquisadores. Divulgação Lorenza Mondada e Fernanda da Cruz trabalhando nas análises linguísticas dos dados do projeto Fazendo falar os ossos, na Universidade de Basileia, na Suíça Divulgação Em outro artigo, publicado em 2025 na revista Ethnographic Studies, as pesquisadoras detalham o ato.
Na exposição, o público é convidado a ver cenas como essas em trechos dos vídeos gravados para o projeto, ao todo, são mais de 180 horas de material audiovisual.
Fonte original: Pesquisa FAPESP Online